segunda-feira, 5 de julho de 2010

SAMPARAGUAI, Regurgitando Roberto Piva






Samparaguai, Regurgitando o Escárnio


E para que ser poeta em tempos de penúria?

Roberto Piva

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A grande metrópole de Sampa entregue a tantos demônios
De máfias e quadrilhas do crime organizado paraestatal
(Inclusive o miolo formal das privatarias, privatizações-roubos)
Pela falsa lei de oferta e procura com subornos no entorno
O mercado-cadela parindo monturos de rejeitos sociais
O narcocontrabando informal e os new-richs da terceirização
Prostitutas, travestis, e os excluídos sociais entre favelados
E marginais baratos rendidos ao jogo de aparências e ao crack
Na cidade grande o núcleo do charco iluminado pra consumo
Entre estátuas e cofres e restos de seres entre tantas vendas
A consciência-formiga querendo o açúcar das noites efêmeras
Entre a tecnologia cabritada e a sensibilidade hollywoodiana
Numa augusta sampa que cria modelitos para o resto do Brazyl
Embrutecida urbe de escarros e dejetos entre abraços de palhas

Totens, bancos, catedrais - e parasitas de todos os estilos
Personagens bizarros, decrépitos; revistarias de novidades sórdidas
O álcool-íris das cirroses letrais como furos de labirintos e panelas
Arames-fariseus, lamúrias com discórdias consentidas
E jugos superiores no status-quo a preço de vidas descartáveis
E a cidade grande feito Samparaguai sitiada entre guaritas
Pelo cinturão verde da muamba chinesa entre parasitas
E o dólar neoliberal do neoescravismo inconsequente

Tabletes de felicidade química em pó marmóreo sulatino
Ah Geração Teflon que esquenta mas não quer aderência
Cérebros-barrinhas-de-cereais com esquisitices exóticas
O bordel excelência da Avenida Paulista de liberais escrotos
As máfias da expropriação et caterva por atacado
Os cérebros nanicos de aluguéis gerando lucro com a fome
As proust-trutas de uma peregrinação miserável para a sobrevida
O câncer social via Pinóquio de Chuchu e outros leprosários
Tudo um gigante Carandiru a céu aberto com bandeiras do Brasil

Os beco-hambúrgueres ardis, estacionamentos-cidades hostis
Os guetos-tubainas, cortiços e a sofrida periferia S/A
As oxige-nadas da alta sociedade num podre pop-star
A tevê que esconde a senzala mas se mostra cloaca
O governo paralelo do crime organizado nutre e viça
As propinas estatais pró-partidárias de tucanos insanos
Professores ganhando salário de mendigos na exclusão proposital
Quadrilhas em praças de pedágios entre brucutus fantasmas
E o cogumelo do self; a sopa de egos-bandeirantes, assaz sina
Tudo putrefetado em modus operandi ordem e progresso
A nova mpb que não é nova não é popular e não é brasileira
A cultura pindorama miojo-nojo de almanaque de ocasião
A sazonal oposição caça-níquel à república de Brasília

Os operários da web com barrrigas de tanquinho e links dúbios
Na esquina da Ipiranga com a São João a máfia dos transportes
E Samparaguai prevaricando improbidades públicas
O minimo estado cínico corrupto e inumano e amoral
O patê de víboras na sala vip das autoridades histéricas
O som jeca com grife, na orgia pagã-pirata, a elite branca
O cadafalso do rodo-anel que foi um tremendo roubo-anel
O cassino estaiado superfaturado para agradar a gregos e baianos
Sociedade hipócrita de sampa e seus universos paralelos, primatas
A midia-nódoa, o crime de obras inúteis sem castigos sonhados

O lucro fóssil, o poder camarão, os caras de pau
Marginais engabelando capos de surubas com erário público
As tecnologias de cipós entre regimes de exceção e arbítrio
O turismo lepra, pedofilias e tráfico de influências sistemizadas
Ongs de araque em campus minados de consciências com glosas
O centro velho entre velhacos de porões e arranha-céus decadentes
Nas periferias mutantes com machadinhas de raps mandorovás
As tetas do capitalhordismo americanalhado e circo e pão e brioches
Descarregos-pivôs entre o boi-bumbá e os migrantes com ódio-ópio
E os orientais chegando... chegando... para o futuro chino-brasilis
Depois do afrobrasilis-tupídavidico e suas orgias natividades...


Os nóias filhinhos de papai em clãs falsos como notas de três reais
Os seres-reses em situação de rua - não constam em estatísticas
O morumbi (se gritar pega ladrão não fica um na geografia-beronha)
As importações insensíveis e o medo de mudanças que mudem mesmo
A mágica do dezelo público impune re-elegendo quem rouba e diz que faz
Discórdias sindicalizadas com pelegos no flanco querendo levar vantagem
Caras pintadas subjugados com medo da cota dos negros aos brancos
Condomínios sitiados por favelas, enchentes e ladrões de faróis
A Máfia do Lixo em contratos que cheiram mal e se consumam

(Trombadinha é a fome)

A bela prostituição generalizada de grosso calibre
As pegações-ping-pong dos estábulos entre jecas e rodeios criminosos
A manada de parangolés embrutecidos pela cidade desmiolada
Futebol-marionete entregue ao deus-dará da lavagem de dinheiro
A antimateria, a antipoesia, a marginália querendo gangrenar miolos
Tecnologias efêmeras, assédios de consumos em amebas com grana
Uma espécie de sub-rota para uma fuga em massa pra Miami-Esgoto
Alckmin, CPIs abortadas, bem parecendo um genérico de Collor-cover
O ladrão municipal e o ladrão estadual no mesmo antro cordial
Criticando uma Brasília federal com seus asnos e seus sonhadores
A justiça caolha e canalha de uma elite sem pudor em falsos credos
A imprensa marrom de um caostólico que cheira a formol
O padre-circo, o pastor-bunker, o espírita flanelinha num bat-macumba
E os jumentos da espécie entre universiotários e o sertãonojo
De brasis gerais em sépias de gruas entre o cimento armado

Os demônios do lucro amoral, riquezas injustas, propriedades-roubos
Lucros impunes - e os emo – ai de ti paulicéia desvairada
O rei rói a roupa do rato do maracatu atônito
Alguma brega parada suspeita, ou balada ou rave
O luxo-fusco: compram e gastam para saciar rebeldias inócuas
Lexotam: tomam coke zero e arrotam poses com flatulências sonoras
As tetas da vaca sampa suga sangue suor e a alma
De crianças e jovens, entre grades e aparelhos no dente como gps

E somos todos engabelados pelo corvo do consumo vil, na volúpia
Um Samparaguai sujo pela marginália de tantos num cardume
Entre fracassos-drops e casagrandes de oprimidos

Não conduzimos: somos conduzidos

Basta ver

No poder

De terno, gravata, túnica, toga, farda

E colarinhos brancos, os bandidos!


-0-


Silas Correa Leite
E-mail:
poesilas@terra.com.br
www.portas-lapsos.zip.net

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Saramago Nobel dos Lusonautas




S a r a m a g o
(18.06.10)


“O mundo existe para terminar num livro”
Mallarmé

Morreu Saramago
Em seu mundo nunca dantes navegado
No entorno de lágrimas de Portugal
E muito além do chão letral dos lusonautas
Numa intermitência telúrica
Morreu Saramago
O criador de um verbo alumbrado
Sua literatura esplende, arrebata
Num mundo globalizado – e insano
Muito além de seu tempo
Morreu Saramago
Entre seu palavrear de luz e sangue
Densos Tejos que ainda rebrilham
Em lágrimas que verteram seu espírito
Procissão de excluídos
Morreu Saramago
Que nos viçou em língua mátria
A sociedade sórdida: e o que somos
Ovelhas perdidas de uma manada
Contra o qual lutava...
Morreu Saramago
O ser humano historial, o homem bandeira
Que na mão esquerda ainda tem uma roseira
Que dá flores rubras a vida inteira
Levantado do chão, nos ares

AINDA VIVE SARAMAGO!
-0-
Silas Correa Leite, Santa Itararé das Letras, São Paulo, Brasil
E-mail:
poesilas@terra.com.br - Site: www.portas-lapsos.zip.net




sexta-feira, 11 de junho de 2010

Os Poemas de Oleg Almeida, Neohedonista Tropical





Pequena Resenha Crítica

A Portentosa Poética Neohedônica-Tropical de Oleg Almeida, no Diferenciado Livro de Poemas “Memórias dum Hiperbóreo”


“... A ironia é o meu último refugio... ”

Gregório Bacic, in, Olhares Plausíveis




Por todos os Deuses! A poesia de Oleg Almeida tem uma vertente neohedônica-tropical que arrebata. A lira-delirante de um viajoso-peregrino, por terras do além-longe, onde ele se impregna-clarifica de um lirismo-neohedônico que capitula telúrico em terras afro-tupí-davidicas. Será o impossível? Pois é! Hiperbóreo, do título, vem de como os gregos denominavam um povo que segundo eles moravam acima do vento norte. Pois um bielo-russo, o autor, Oleg Almeida comprou o mote e empreendeu viagens feito uma espécie assim muito bem agregada de gregonauta em terras brasilis gerais, tabuleiro-mosaico em que se cantando tudo há.

Memórias-derramas? Devaneios-fugas? Exercícios de libertações? A arte como fuga-tronco? O Parnaso é o lugar que somos-estamos-permanecemos? Que vento varre as hélices da alma quando nos defrontados num descaminho do longe, se não sabemos que lar nos habita e que propriamente lar somos e estamos? Devaneios de sensibilidade. Alimentamo-nos de nossas neuras e as transformamos em versos e pólos rítmicos de versações?

Que Estação Nada é um porto-lei? Remos em ventos: poemas. As aventuras ins/piram versos... Holderlin, o mágico de Hypérion no vestíbulo da prisão em que foi posto e condenado, acusado de loucura, quando exibia o mais alto grau de lucidez: “E no entanto tu brilhas, Sol! Terra sagrada, não cessas de reverdecer, o fluxo das torrentes escorre ainda para o mar, e no calor do meio dia a sombra das folhagens murmura ainda!”. Mares nunca dantes navegados? Por que mares, lares, bares e ares, segue a fluidez louca de Oleg Almeida?. É difícil ancorar um navio no espaço, disse a poeta-suicida Ana Cristina César. Qual é a filosofia vivencial de Oleg Almeida? Aí tem poesia. Ai de tida vida errante!

Poemas-crônicas, poemas-romances, retratos raros, poemas-historiais, poemas quadros cênicos, poemas e a paleta do olhar do criador trans/figurado. Que viagem é dar esqueleto estético a versos que ganham molduras em vidas, cores, tintas e panos, sentidos e consistências, a poética-texto que proseia o mar lusco-fusco entre a poesia propriamente dita e as memórias nem sempre tão doces, mas vertentes verdejantes de um ser como que, enclausurado numa dor lancinante, quando se purga a escrever o derredor delas, antes, depois, e, pior, dentro delas: eis o livro. Para Holderlin, como para os gregos, um Píndaro, por exemplo, a arte é artesania. É o chamado mechané dos poetas antigos que Oleg faz macadames de idéias-poemas, de situações-conflitos-poesia, de narrações-poéticas que criam fundos, ermos, variações, dimensões que a leitura mergulha, bebe, rende harmonia. A poesia é exigência, diz Saint-John Perse. Pois no caso de Oleg Almeida é exigência de contar, narrar, descrever, arrancar, criar-se ainda assim da memória, verter-se, dar o que pensar em seio, berço, eio; e pinturas com magnífico nuance novidadeiro de punho e cunho clássico.

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“Olhai, Senhor, para mim
Com vosso sorriso bondoso e complacente.
Dai-me um pouco de luz olímpica;
Perdoai a vontade insana
De ler o final da historia, antes que seja escrito
DE quebrar, com alarde, a casca de noz sagrada
E comer o miolo
De penetrar o impenetrável”

(in, pg 10, Poema Numeral UM)

Essa é a poética de Oleg Almeida talvez neohedonista. Delirante. Delirante?. Melhor: assustadoramente poética, viajosa, fora do normal – se é que normal quer dizer alguma coisa – sem títulos; numeradas, como páginas de rostos, capítulos de uma mesma epopéia a criar diários, registros, delações, visões, com/figurações. O molusco tirado da concha em bólides e desafios faz-se homem no escreViver... Hiperbóreo...

E trabalha o verso que uni-(verso), o longe, o perto (o dentro), mais, a chaga do tempo, como se quisesse estar onde não está, e quisesse ser o que não pode ser, ou se quisesse escrever-se para refazer-se e incluir naquilo que lhe foi tirado, talvez o vento-tempo: “O tempo nos mata – Não a pauladas(...) mas à sorrelfa/Com rugas, doenças e cartas de despedidas/Pouco a pouco.” O tempo e suas cartas náuticas-poéticas. Navegar/Escrever é preciso, existir não é preciso?

“O azul foi a cor da infância
Do lépido céu que servia de teto(...)
Dos olhos de minha vó
Das histórias por ela contadas(...)
Foi o azul do menino(...)

(pg 21, in Verso V)

Assim é Oleg Almeida. Narrador-contador(cantador) que veste a roupa do que pensa, inventa, sente, e isso dói. Escrever é derrubar paredes? O Poema IX é lindo! Fragmento: “Do dia em que morreste, meu velho(...)/De capa branca, imaculada, e de sandálias pretas/Que nunca usarás em vida/Tu foste embora/Seguindo o caminho que todos os homens igualaria nos seus direitos/O da eternidade.” (pg. 39). Alexandre Dumas, em suas Memórias, dizia que era um menino entendiado, entendiado até as lágrimas. Quando sua mãe o encontrava assim, chorando de tédio, perguntava-lhe: -E por que é que Dumas está chorando? Então o menino de seis anos respondia: -Dumas está chorando porque tem lágrimas.

Os poemas hiperbóreos são as lágrimas hedônicas-tropicais de Oleg Almeida em peregrinação pelo mundo que re-descobre a cada ver-se? Ei-lo exatamente nu e lacrimal in versus: “Cheguei e, no meio do desespero/Vi todas as coisas, que conhecia desde o berço, ilesas/As flores a recamarem o teu sepulcro eram bonitas/O vinho tomado para coibir os prantos, gostoso/A lua recém-nascida, amarela/Mas tu não vivias/Ou tinhas entrado, talvez, nessas coisas/E nelas te radicarás/Virarás crepúsculos, raios e sons/Integrarás a natureza/Em cujas feições delicadas, daí para a frente/As tuas se encarnariam.” Bravo! Quadro cênico de pura poesia, a mortalha cênica de um olhar sensível-dor. As perdas (as ausências) alimentam sensibilidades lírico-meditativas que soçobram entre rumos, remos, resmas, iras e criações desta ordem. Que pátria é a infância? Que poesia é nossa cara-pátria? As caras e as coragens (e as fugas-devaneios) do mundo:

“O mundo de hoje não se parece com nada(...)
Aliás, eu também nada tenho de grego
Tirante meu hedonismo mal-sucedido
E as questões
Quem sou eu? Donde venho? Aonde vou?!
(pg. 67 Verso XV)
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Ítalo Calvino dizia: “Entre os valores que gostaria que fossem transferidos para o próximo milênio está principalmente este: o de uma literatura que tome para si o gosto da ordem intelectual e da exatidão, a inteligência da poesia juntamente com a da ciência e da filosofia(...).” Oleg Almeida é um caótico itinerante? Já o dramaturgo e poeta Antonio Miranda diz que toda poesia é impura (...) e instaura-se no caos do qual não pretende se libertar... E sobre o escritor Oleg Almeida, o literato Antonio Miranda se manifesta verdadeiramente profético-poético: “Surpreendente o domínio da língua portuguesa por um poeta eslavo! Degusta as palavras e os sentidos em poesia que lida com a prosa, de forma direta, confessional, sutil mas, ao mesmo tempo, incisiva. Aposto no talento dele.”

Feito um Homero querendo voltar para casa, Oleg Almeida procura o que se pode chamar de seu – entre sangue, suor e criação - de casa (o que se pode chamar de lar?); lar, lugar, estar, ser, origem, raiz, talvez despertencimento - ele mesmo a sua própria casa-lugar/ser, o próprio caminhar (fazer a casa), assim luz e lágrima – e verso. Zeus ajuda quem cedo se aventura? O tempo o que é? Tempo-palhaço (até no circo das idéias poéticas), ladrão de mulher, ladrão de nós mesmos, acima dos ventos, das peregrinações ilusórias, dos ícaros, quando o próprio farol de Alexandria pode ser apenas um ponto de exclamação acima das nuvens-ventos, indicando idas e vidas como lugares nenhuns, o ser feito vinagre na peregrinação como alma-andaluz. O lar divino é aquele em que nos deixamos; lastro e rastro, estrelas e trilhas, ilhas e edições de. Vinho, chocolate, recordação, prazer, status paradisíaco de ser-estar-permanecer-continuar!. Carpe Diem. E Poesia, claro, porque Oleg Almeida, filosófico e lingüístico, feito um novo Odisseu pós-moderno (e pós tudo?) faz a sua própria diferença: aventurar-se. Eis o repertório no verbo VIVER se encantando no umbral de novas ilíadas vivenciais e parnasos boêmios consagrados a Orfeu. Colocando poemas-viagens no poetar as buscas de si mesmo, hiperbóreo. Escrever é compor a solidão de poesia/Para ter companhia? Ah a dura viagem de existir! Não somos todos Ulisses?

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Silas Correa Leite – Escritor, Membro da UBE-União Brasileira de Escritores, Teórico da Educação, Jornalista Comunitário, Conselheiro em Direitos Humanos

Autor de Porta-Lapsos, Poemas, e Campo de Trigo Com Corvos, Contos, a venda no site
www.livrariacultura.com.br

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poesilas@terra.com.br

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sexta-feira, 28 de maio de 2010

Bob Dylan, o Blues-Man da América Agônica






Bob Dylan, o Maldito Blues-Man Rompendo Sombras e Escuridões


(Improviso para uma Crônica-homenagem)


“Quando ouvi Bob Dylan, pensei:
Então ainda não chegamos ao fim da linha...”

Allen Ginsberg, Poeta dos Beatniks



Robert Allen Zimmerman do Minnesota, oeste Americano, judeu peregrino que cantou suas marés altas e baixas, violão e gaita de boca, alma desterrada do Mississipi, poeta denuncista, humanitário, louco sonhador, chuva varrida pelo vento. As pedras rolarão. As chuvas cairão. Com ele, Bob Dylan, os loucos reaprenderam a sonhar.

Um mito dos Anos 60/70/80/90... E não existe outro. O maior poeta da rica música norte-americana. A verve de Faukner, era determinado e destemido na sua sozinhez de tímido gritante, válvula pulsante, gigante. E nunca lucrou muito com seus trabalhos. Lenda vida, espírito-que-anda do rock, subiu, desceu, foi ateu, cristão, judeu, mirabolante experimentou tudo o que pôde para permanecer ele mesmo, carne e coragem.

Hippye pop com sua metralhadora musicoletral, atacando as guerras lucrativas-infames, contra elas todas, os podres poderes; fugiu de armadilhas e não se assinou dono da verdade, qualquer verdade-vaidade. Não aceitou becos ou guetos, bandeiras. A contracultura não como cofre cheio, mas com seu ascoletral contra totens. Poesia nas letras, obsessão, sarcasmo, regurgitando o que via, fio terra, sacava – a realidade é um revólver quente, (parafraseio The Beatles) - cantava, lia, ouvia, sentia e declinava para permanecer mutante, música braba na corrente sanguínea.

Trabalhava a língua-linguagem. E profetizava enquanto poeta do caos (e pré-caos ou pós-caos) arrancando do enraizado country-folk puro e simples para fazer escalas e escolas, cifras & partituras. Escrever sobre Dylan é um perigo. Benzadeus. Rios, braços, correntes, nosso capitão. Inspirado nele faz tempo escrevi Negredos:


“Negredos e Correntes” (Poema)


Libertar, eles libertaram, pelo menos no papel entre moinhos e arados/
Mas se indenizaram; indenizaram os escravocratas de roubos vezeiros/
Em vez de nos indenizarem; à nós, os trabalhadores afrobrasileiros/
E de alguma maneira ainda estamos a uma coivara Acorrentados/
Os pés presos a terra, os tornozelos, os braços, os punhos cerrados/
Os olhos viajam, a mente abstrai e o espírito nos traz de longínquos degredos/
Mesmo que na nossa negritude de amalgamados/
Sejamos agora os Negredos/
Pobres Negros abandonados/
Depois de levas de escravizados/
Temos nossas memórias, lamentos, banzos e medos/
Dos filhos deste solo de mestiços com seus forcados/
Mas os olhos, a boca, os sentidos, as mãos, os dedos/
Ainda gritam contra os dezelos sociais deste Brasil de acorrentados.

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Nunca teve um sucesso dando lucro em primeiro lugar no hit parade. Não se deu lucro como seu meio. Influenciou Caetano e Belchior, o que por si só diz tudo e mostra a grandeza de ter sido o que foi e é & sempre será. Alma bem alimentada de raízes. Um branquelo judeu cor de mandioca vassourinha descascada cantando musica negra feito um pré-rapper?. A alma! a alma!. Já pensou?

Pretos, pobres, prostitrutas, moradores de rua, lutadores de boxe, gatos pardos, doidos, atirados, todos lavavam a alma no seu cantorio feito um folk-pop-banzo anglo-saxônico norte-americano. A América é um blefe? Deu vida aos miseráveis, feito um Walt Whitman pássaro preto da música em pé de guerra e letramentos contra uma América rica e injusta e amoral. Sentir dói. Testemunha de nódoas cantou-as, pulso a pulso. Um gênio na essência da palavra e também literalmente falando (por isso mesmo) tirou de letra.

Fizeram-no um mito mas ele se humanizou o mais que pôde. Não se perdeu como outros tantos, entre drogas e egos insarados nas insofrências. Não quis aura ou signoficante. Merece e faz tempo um Prêmio Nobel da Paz, da Literapura, qualquer coisa joiada assim.

Seu canto contra a guerra:

SENHORES DA GUERRA
Bob Dylan
"Vós, senhores da guerraQue construís canhõesQue construís aviões da morteQue construís grandes bombasQue vos escondeis atrás de murosQue vos escondeis atrás de secretáriasQuero que saibamQue vejo através das vossas máscarasVós, que jamais fizestes outra coisaPara além de construir para destruirJogais com o meu mundoComo se fosse um brinquedoDais-me uma arma na mãoE escondeis-vos do meu olharE virais as costas e fugis bem depressaQuando as rápidas balas cruzam o arComo o velho JudasMentis e enganaisQuereis que acrediteQue uma guerra mundial pode ter vencedorMas vejo para além dos vossos olhosE vejo para além da vossa menteComo vejo através da águaQue escorre pelo meu cano de esgotoVós preparais os gatilhosPara que outros os puxemDepois recostais-vos e apreciaisQuando o número de mortos aumentaEscondeis-vos nas vossas mansõesEnquanto o sangue escorreDos corpos dos jovensE se mistura com a lamaVós espalhastes o pior pavorQue poderia ser lançadoO medo de trazer criançasAo mundoE por ameaçar meu filhoNão nascido e sem nomeVós não valeis o sangueQue corre em vossas veiasEu sei de muitas coisasPara falar fora da minha vezTalvez me chameis de jovemOu de ignoranteMas há algo que seiEmbora seja mais novo que vósMesmo Jesus jamaisPerdoaria o que fazeisQuero perguntar-vos algoSe é vosso dinheiro que valePara comprar vosso perdão?Se achais isso possívelPenso que descobrirãoQuando a morte vos chegarQue todo dinheiro ganhoNão vos devolverás a alma"
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(Tradução livre de "Masters of War", do álbum "Freewheling Bob Dylan" de Bob Dylan, lançado em 1963, tempo de guerra dos EUA contra Vietnã)
Cortou a carne da América, na sua própria. Era parte branca e opressora dela, como também era filho de imigrantes (russos-lituanos) e sabia a dor da saga, de cada um com sua diáspora, cada ser-ilha com suas mensagens de socorro em garrafas, palavras, sons, enfrentações e enfrentamentos íntimos fechados, ciclais.

Parafraseando o próprio Bob Dylan, quando o ouço, em seu sussurro vento-singer, penso que tudo o mais é sacrilégio e a minha alma voa. Uma forte chuva vai cair?

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Silas Correa Leite, Itararé-SP, Brasil
E-mail:
poesilas@terra.com.br
Autor de CAMPO DE TRIGO COM CORVOS, Contos, Editora Design
Site:
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domingo, 23 de maio de 2010

Pelé 70 Anos, Ídolo de Barro






A Mídia Esportiva e o Ídolo de Barro Pelé, em Seus Setentas Anos

“Pelé jogando é uma coisa.
Falando deveria ter uma
chuteira na boca (Romário)
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-Faz tempo que um ídolo da Mídia Esportiva está envolvido numa série de problemas, para dizer o mínimo, mas a Mídia Esportiva estranhamente o deixa em paz, não provoca um jornalismo investigativo. O Pelé julga-se impune, imune ou a Mídia é suspeitamente conivente? De vez em quando a chamada Mídia Esportiva inventa um craque de ocasião, e lá vai um Kaká da vida pro podium dos disparates especulativos, a ser supervalorado salarialmente, superestimado nos enfoques do meio, e as inocentes torcidas, coitadas, do mesmo modo que acreditavam que o São Paulo Futebol Clube era o melhor time do Brasil, também acreditaram que Kaká era um novo Pelé branquelo com olhar alto-relevo de lambari defumado. Agora que ele já foi vendido pro exterior por alto preço e lá amadureceu, mostrou seu valor, claro, o São Paulo não ganhou nenhum título com ele mas mostrou que além do Kaká que deu certo, por outro lado, Luiz Fabiano e Reinaldo foram, no mínimo, canelas-de-vidro (no bom português, Pipoqueiros - sob pressão de importantes finais), ao mesmo tempo que vem a tona os rastros deixados pelo sr. Edson Arantes de Nascimento, o Pelé, nos suspeitos e exóticos paraísos fiscais. Claro que, a mídia esportiva (agora em minúsculo) deu uma notinha aqui e ali, mas, estranhamente os jornalões e colunistas do meio esportivo nem deram isso como manchete em letras garrafais, pois, afinal, parece que o nosso maior ídolo esportivo tem duas caras: uma, a do craque, para mim, junto com Garrincha, Zico, Sócrates e Rivelino, um dos maiores do mundo. De outro lado o mau empresário que estranhamente valeu-se de laranjas ocasionais, sócios suspeitos cooptados ( entre amigos do alheio?). Inocente inútil ou nem tão inocente assim?Pelé em campo era conhecido como esperto, malandro (até quebrou a perna de um brucutu que caçou seus colegas do Santos), mas - como desculpa, vá lá - não sabe escolher amigos nos negócios, ou, aí que a moeda revela a outra face, saquem o lance, proposital e curiosamente "escolhe" realmente alguns pangarés de caras lavadas, para exatamente dar seus golpes e mostrar que, grosso modo, é mesmo um ídolo de barro, e, pior; a sua personalidade verdadeira é aquela que renegou uma filha porque ela é mais inteligente do que ele, mais bonita do que ele, mais estudada do que ele, e, claro, tem caráter e não se sujeitou ao seu burocrático cerca-lourenço nos trâmites forenses, nem se deixou chapelar por suas pomposas firulas extra-tribunais, muito menos aceitou suas embaixadas de más intenções ou seus ataques de ego ferido em flagrante de comportamentos inidôneos, para dizer o mínimo. Claro que ninguém é cem por cento perfeito. Claro que o futebol no dizer dos hilários locutores e narradores (ou boleiros) é mesmo uma caixinha de surpresa até em jogos de casados contra solteiros, mas, entre o Gerson que fazia o mote publicitário de levar vantagem em tudo; do Luisão que pipocou aqui e ali em vários times grandes, pererecando (como diz o Fiore Gigliotti) sem nunca cumprir contrato in totum com todos eles, e os craques verdadeiramente limpos como Tostão, Zenon e Ademir da Guia, só para citar alguns dos maiores também, há uma grande distância, uma grande diferença. Eu era ainda era jovem de tudo, e fiquei sabendo por intermédio do Jornalista e Promotor Cultural, Paulino Rolim de Moura, de Itararé-SP, no Trombone (imprensa marginal que atacava a tudo e a todos com seu mosaico alternativo de imprensa), as tramóias do ídolo de barro, Pelé, indo e vindo do exterior em suas excursões pouco auditadas, inclusive pelo fisco. E as farinhas(...) encontradas numa vitamina que ele veiculou com alarde e pouca consequência resultante.
Pois o tal tablóide O Trombone publicou esses comentários-denúncias em edições bem distribuídos pelo Brasil todo, e entre governos militares (que fizeram vistas grossas - o Brasil tinha sido campeão no México com Pelé, Dadá, Paulo César Caju e outros), e, por isso mesmo, claro, ninguém quis pôr o dedo na ferida inteira, até porque, diz um ditado antigo, mexer em águas paradas vai trazer o lodo do fundo, e vai sobrar pra muita gente, até alguns emperiquitados totens da mídia e várias sombras palacianas em regime de arbítrio, de tempos tenebrosos. Novamente agora, em tempos de Lula Light e alguma transparência nos três poderes (a imprensa em tese continua antipetista pois é neoliebral, a Polícia Federal já sentiu o fedor das arapucas internacionais tramadas por empresas fantasmas do Rei Pelé, e já tem muitos sócios dele com as barbas de molho, quando não, citando o Elio Gaspari, tungados. Mas, o pior - e esse é o tema central desse artigo-desabafo - são as fanáticas viúvas de Pelé, agora ídolo de Barro, de Milton Neves a outros (e até amigos de ocasião), escondendo esse lado "pouco humano" do Rei, que revela a sua verdadeira cara. E ele, sempre ameaçando jornalistas de coragem que dizem verdades a seu respeito, ou então, Pelé estranhamente foge do país na hora de dar obrigatórias explicações. Viaja. Numa boa vai passear alhures no exterior, para ver tudo cair no esquecimento especulativo, e assim ele poder voltar, de cara lavada, ainda fazendo mídia para remédio contra impotência, como já fez propaganda para vitaminas feitas com farinha de trigo e na ocasião tudo foi abafado, apesar de fartas denúncias nesse sentido.
Quando, aqui e ali, prum "Louro José" da vida (isso é, jornalista-escada pra levantar a sua bola dialética), aceita operacionalizar uma entrevista babaca de ocasião, parecendo maduro, casado com crente, sereno, dando lição de moral ou de oportuna falsa humildade, ele logo posa tranqüilamente de bom moço, mesmo nunca tendo feito nadica de nada em favor de sua raça negra (até a esconjurou); jamais batalhou pelos seus colegas de estrelato (e depois, ocasional anonimato), tendo até abandonado o popular Garrincha em decadência e outros craques de talento quando precisaram dele. Mais recentemente, a melhor filha que teve - de uma relação com uma ex-empregada doméstica negra (como ele poderia assumir isso, se gosta de falsas louras?) - contou o estilo operacional do comportamento dele com ela, fugindo da responsabilidade provada com reiterados exames de DNA. Assim, fazendo o jogo do bate-bola com o repórter marionete, indo ao ar, aqui e ali, uma entrevistazinha, o Atleta do Século se esconde atrás da fama, contra as graves acusações que pesam contra ele, além de processos em trâmite legal e mesmo denúncias de ex-sócios que foram lesados por ele e deram com a língua nos dentes. O homem Edson Arantes do Nascimento é um e o Rei Pelé é outro? Falso. Tudo corresponde a um ícone só. Que virou ídolo de barro, mas, por incrível que possa parecer, do Juca Kfouri ao Flávio Prado, ninguém quer mesmo ir a fundo na investigação, e, é bem possível que, após um levantamento geral da Polícia Federal, algum diretor do chamado Clube dos Treze, fazendo jogo de cena, ou algum sindicato de ocasião comprometido, em conjunto de interesses suspeitos tentem acionar deputados babaquaras neoliberais em Brasília, e tudo acabe indo pro baú do esquecimento, pois, afinal, tem um desembargador e um ministro de tribunal superior aí, campeões em arquivamento de processos contra pessoas importantes e personalidades de destaque de nossa sociedade encardida, com seu fundo falso e histórica caixa preta camuflada no Caixa Dois dos lucros impunes, riquezas injustas, como cantou São Lucas. Por isso cobro que a imprensa em geral, dê a atenção devida e ampla que o caso merece, o enfoque que o fato requer. Por que seria diferente com o Pelé? Não atacaram o Dida por causa do tal passaporte falso? Não reclamaram algumas eventuais suspeitas de maracutaias do Zico no Japão? Não atacaram o Dr. Sócrates quando ele teve uma separação litigiosa? Não colocaram o Campeão Marcos do Ex-Verdão sob suspeita de corpo mole em clássico? Por que perdoar o homem público Pelé então, um ìdolo de Barro? Isso é hipocrisia. Ou falta de ética jornalística na mídia esportiva. Quero esses programas tipos "mesa redonda" do Cartão Verde ao Terceiro Tempo, mostrando a verdadeira cara de um rei que não está com essa bola toda, principalmente fora do gramado.
Até porque, se dentro das quatro linhas ele foi genial, por outro lado, realmente seus negócios deram com os burros nágua, e ainda tem muito podre para vir a tona, quando, então, finalmente o mito cairá definitivamente por terra. E será um golaço da imprensa investigativa, denunciadora, imparcial. Para o bem de todos e a felicidade geral da Verdade propriamente dita.


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-Silas Corrêa Leite, Poeta, Educador,

Santa Itararé das Letras

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