segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Talves Eu Devesse Ter Fugido Pra Marte





Talvez Eu Devesse Ter Fugido Pra Marte

Se você se sentir um verme, cave
Se você se sentir um pássaro, Voe

Henry Miller


Talvez eu devesse ter fugido pra Marte
Talvez eu nem devesse ter nascido
Talvez eu fosse alguma coisa em qualquer parte
E estivesse muito longe de me restar havido

Talvez eu esteja fugindo nas viagens letrais
Como uma fuga, um vagido, uma neurose
Alguém, alguma coisa ruim, sempre vem mais
E já nem sei se é ódio ou cinismo em overdose

Talvez eu tenha tantos espíritos aflitos
E ao escrever tente passar a limpo a dor
Morrendo serei húmus entre eucaliptos
Vivendo são tantas neuras; é tanta dor

Talvez eu me esconda fazendo arte, mas
Fugindo para um desmundo, que nem vida é

Sei que vou morrer sob sombras de calipiás
Minha dor depositada na terra-mãe Itararé

-0-

Silas Correa Leite
E-mail:
poesilas@terra.com.br
www.itarare.com.br/silas.htm

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Caetano Veloso e Maria Bethania São a Mesma Pessoa?





Caetano Veloso e Maria Bethânia São Uma Só Pessoa?



Caetano Bethânia Maria Veloso. Jogo de Estrelas. Jogo de Amarelinhas. Pulando de um pra outro. Céu e inferno? Ou muito pelo contrário? Tudo a ver.

Descobri o maior segredo guardado a sete chaves baianas do repertório lendário de nossa maravilhosa MPB: Caetano Veloso e Maria Bethânia são uma só pessoa. Calma, péra aí, explico. Bahia de todas as santas. Deus é mãe.

Aliás, como é que vocês nunca notaram a semelhança de circunstancia coincidente? Tá na cara, leãozinho. Caetano Veloso e Maria Bethânia são um só. Eles se revezam. Quando um lança um novo cedê, o outro some depressinha. E vice-versus. Quando um faz turnê pro sul-maravilha, o outro diz que está na Europa. Estranho, mas crível. É a cara de um e o astral de outro. Só que o Cae pra ser Bethânia usa peruca, entrelaçamento. Mas se fizeram dois, para ganharem mais dinheiro, trabalhando menos. A famosa preguiça baiana, sabem. Dorival Caymi deve ter sacado logo de cara a multiplicação de flashs.

A Grã Bethânia, a maior cantora do Brasil hoje em dia, lançou o belíssimo cedê Maricotinha. Caetano sumiu. Eles são um só, como os japoneses que são todos gêmeos, mais nasce um de cada vez. Mais ou menos assim, se é que vocês me entendem.

Claro, dizem que Cae nasceu primeiro. Dona Canô deve ter então inventado uma outra nova Bethânia, que é o outro lado qualquer coisa jóia odara do Caetano Vianna Telles Veloso. Que ele incorpora muitíssimo bem, nessa nossa latíndia afrobrasilis, e assim se sai muito bem, claro, pois eles, quero dizer, ele, o Cae, é o maior compositor brasileiro, que ele mesmo, também genial, facilmente compôs a Bethânia, como diz extra-oficialmente que foi ele que escolheu o nome da irmã - que se injeta de ser pra delírio e glamour geral. Mas ele a dubla, apenas, isto é, incorpora esse outro ser-se de si mesmo alegria alegria (sem lenço e sem documento) e assim são dupla de um só, de cada vez. E cada vez melhor, sempre.

Alguém já viu o documento-identidade do Cae e o da Bet Bet Bethânia? Aí tem a cara e a coragem, a outra face da mesma moeda. Cara e cara. São tão parecidos (uns são, uns não, uns hão), idênticos, vitelinos, que só podem ser um só. Faz sentido. Caetano, o homem, afina a foz. Bethânia, a mulher, engrossa. Pra disfarçar. Despiste, sabe.

Mas são um só, Se vocês o viram em dupla, pode crer que é montagem das boas. No show Doces Bárbaros, bem que tinha muita luz, um espetáculo e tanto. Jogo de espelhos. Ou é a Gal (que também é Maria das Graças) que, ora interpreta ora o Cae, ora a Bet, colaborando com o disfarce?. Pode apostar nisso. Maria Bethânia é Caetano, Caetano Veloso é Maria Bethânia. Sem tirar nem pôr.

Dizem que poucas vezes foram visto juntos no mesmo palco-íris. Ela diz que o adora. Ele merece. Ele diz que é sua irmã-alma. Tá vendo como eles se contradizem, se traem, porque tentam despistar o óbvio ululante?. Alô você, confesse, vá, já viu os dois lado a lado, pessoalmente? Alguém já viu? Claro que não. Só pode ser truque, montagem espetacular, em raras vezes que se apresentam juntos. Não é à toa que o show da Bethânia é caríssimo e raro. Diamante verdadeiro. Um é o álibi do outro? Vá saber.

O repertório dela é uma Caetanópolis por atacado. O jeitão dele no palco se controlando, segurando o tchan, é bem Caetano Bethânia. Caetanear, por que não? Vocês nunca sacaram as letras do Caetano Veloso? Enquanto Chico Buarque canta a alma feminina, Bethânia é o Id de Caetano, sua alma-germinal. Sacou o lance?

Como é que você vai querer que uma mulher vá viver sem mentir? Bethânia mente que não é Caetano. E Caetano é um esse cara, se consumindo. Um homem-mulher. Não sexualmente falando, sabe, mas artisticamente sendo uma espécie de dupla de um. Ele, um dia, sacou que poderia inventar de inventar uma alma andaluz, e, cinema falado, representa bem a irmã baby. E sai-se muito bem, diga-se de passagem. Adoravelmente outra pessoa, mais exatamente iguais. Balaio sem tampax.

Se você pegar um programa de computador, um que tenha ilha de edição, e gravar um, esse cara, depois gravar outro, idem, interpondo as imagens, vai verificar que são idênticos como unha e acne. Iguaizinhos. Assim dá mais lucro. Pode ver que Caetano trabalha no primeiro semestre e Bethânia só no segundo. Pra vadiar. E assim vão levando a temporada, celebridades que são. Afinal, não podem se encontrar, claro, um corpo só não pode ocupar dois espaços físicos diferentes, a não ser que um assuma outra identidade-glamour. Mas não é psicótico, neurose, é amor em dobro, arte em dobro, como uma peça-dobradiça só se completa sendo macho-fêmea no sentido puramente estético-existencial de percurso e mais valia.

Caetano se disfarça de Bethânia, e canta Olhos nos Olhos, Cálice – aliás o Caetano Bethânia adora o Chico. Bethânia tira o entrelaçamento capilar, afina a voz (que é sua voz normal quando ele não recebe a santa Bet) e grava Peninha, Fernando Mendes. As canções que você fez pra mim mesmo. Pegou? Captou minha mensagem?

Como aço e imã. Irmanados. Todos os unos. E pode ver que tem uma música que Caetano entrega o ouro da bandida. Diz que adora palavras trabalhado em ã. Como imã, irmã. Ele é irmã dele mesmo. Sorte nossa. Isso é que é talento. Quando ele canta em falsete, então (eu sei que vou te amar), ele se completa como flor-fêmea, pássaro-flor, e sua baianidade de Subaé em jogos de amarelinhas. Quando é que Caetano é ele mesmo? Cinema calado? Noites do norte. Outras palavras. Pula. Quando é que Maria Bethânia é ela mesma? Quando canta Tigresa, Índio, Ciúmes, o lado Bobô de Caetano mandorová-camaleão. Eu que não caio nessa.

Quando for no show de um, vou pedir autógrafo do outro. E nem é dupla personalidade, pois tudo é muito claro. Quando for no show do outro – e existem outros? – vou pedir autógrafo dobrado pelo mesmo preço-ingresso. Como saquei essa, e adorei, não preciso fazer chantagem ou usar de extorsão, vou fazer uma promessinha: Caetano musica letras-mantras minhas, e Bethânia (os dois um só) interpreta, e eu os perdôo imensamente. Sem tirar nem pôr.

Aliás, com aquela cabeça, Caetano ser um só era mesmo desperdício corpóreo-sensorial. Então ele se empluma todo, parecendo uma penteadeira de cigana, e assim, sem precisar soltar qualquer dragão-rainha de sua sensibilidade-ninhal, fina flor da espécie que é avis rara, parece-se e é!.

O muso Caetano é esperto. Por isso é meu ídolo-mor. Tem as mil e uma noites dentro do ser-se de si., E como nunca toda arte lítero-musical é selfgrafia, ele se despacha ora um, ora outra. Pesquisem as letras dele, pra ver como ele se entrega. De maneira tácita confessa nas entrelinhas aqui e ali. Implicitamente. E dá um belo baião de dois num mesmo solo corpóreo, boleros-blues. Como é que eu não tinha pescado isso antes? É pura magna mágica. Coisa de Terra do Nunca. Você nunca foi à Bahia? Dizem que lá, toda mulher-bandeira determinada é cabra macho. E todo homem cheio de si é purpurina-talismã. Deve ser isso. Afinal, ninguém pode fugir de ser dupla quando pode ser tantos e timbres e tons e tais. Ora direis, ouvir estrelários.

Caetano Veloso e Maria Bethânia são uma só pessoa? Quem é a persona? Adoro os dois. Dose dupla de alto poder criativo. Deixa sangrar. Cenário e camarim. Com todas as letras, todas as músicas, todos os jogos de cena e interpretações. Palco iluminado num só diapasão. Sangue bom é fogo e fato.

A Dona Canô deve ser Santa. Ou isso é macumba das grossas, como Dorival Caymi e ACM que, aliás, podem ser mesma pessoa também, um no violão náutico e outro na violação do painel do congresso mar de lama neoliberal? Mas aí já seria exagerar. E eu não sou disso. Onde já se viu?

Falando sério. Gosto de sacar as coisas que, de tão claras, poucos enxergam, como o óbvio ululante que estranhamente ninguém nunca vê.

Maria Caetano e Bethânia Veloso são uma só pessoa.

É por ter estado tão maravilhosamente (e divinalmente) oculto, que terá sido o óbvio?.
-0-
Silas Corrêa Leite – de Itararé-SP – Poeta, Educador
Membro da UBE-União Brasileira de Escritores
Site pessoal:
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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

QUEM VAI NOS ESPERAR NO CÉU





Quem Vai Nos Esperar No Céu?

“Nada é grande na terra, a não ser o próprio Ser Humano/Nada
é grande no Ser Humano, a não ser a mente e a alma...“

(Sábio Italiano Pico Della Mirandola)

Para a Jornalista Maria Lydia (Rádio Bandeirantes)

-Se morrermos amanhã de manhã, ou num domingo de sol de primavera, quem vai nos esperar no céu? Certamente as pessoas que amamos aqui e que partiram primeiro, lá estarão nos esperando, para nos ajudar na passagem, na travessia...desde o momento mais difícil de romper com o cordão dessa dimensão inferior, até mudarmos de lado e então finalmente respirarmos luz terreal.

-Quem vai nos esperar no céu? O querido e saudoso pai, com seus longos braços cor de leite, seu chapéu verde de feltro com peninha vermelha, sua bengala de ossos e memórias, sua acordeona vermelha, seu olhar que de manhã era de uma cor e à tardinha na Estância Boêmia de Itararé era de outra. Sim, lá estará seu pai lhe esperando. Na Casa do Pai há muitas moradas?

-Quem vai nos esperar no céu? Tia Aurora, Dona Esperança, Seu Silêncio, Seu Zé Infinito, A Vó das Santerias, Dona Sofia com seu manjar de manga-sapatinho, São Pedro Guerreiro Vencendo o Dragão da Maldade, Lázaro Ressuscitado duas vezes, Joca Bentinho, o Filho da Luz, O Totonho Neto da Alma, A pobre Ama do Coração Vermelho, os Primos das Serenatas, O Vendedor de Picolé de Limão, O Entregador de Lágrimas, O Anjo Rosa que fazia Bala Juquinha, sim, as pessoas que amamos, e que nos amaram, nos esperarão no reino dos céus? Está escrito nas estrelas isso?

-Quem vai nos esperar no céu? Particularmente até fiz uma interessante trovinha rápida a respeito:

“Quando eu finalmente me for/Quem vai me esperar no céu?/O meu saudoso Pai Antenor/ De terno, bengala e chapéu?

-Quem vai nos esperar no céu? Com certeza todos aqueles a quem estendemos as mãos - ama a teu próximo como a ti mesmo - os que provemos, aqueles que ajudamos na nossa peregrinação, quer usando as sandálias da humildade, quer simplesmente dividindo água, sal, vinagre, força física, pão e peixe. Será possível isso, meus irmãos de buscas e sonhos?

-Quem vai nos esperar no céu? Sim, porque um dia iremos atrás de nossos próprios passos, marchando o retorno em busca de nossos ancestrais, rumo ao começo infinito da vida nesse plano astral. Quem éramos, Somos? O que seremos, já fomos um dia? Quem somos nós? Que espécie já fomos há zilhões de anos-luz? Sim, porque o brilho de uma estrela que vemos, é apenas luz de uma enorme e que já se apagou faz muito tempo. Faz sentido isso. O que isso quer dizer, irmãos?

-Quem vai nos esperar no céu? Conheceremos a lenda do Relojoeiro que toma conta do tempo na supercorda do infinito cosmo sideral? E do cachorro com asas que vigia os ladrões da noite eterna? Fomos amigos da toupeira nariz-de-estrela e do ornitorrinco azul-xadrez que vigia as almas encantadas? Pois é. Pode ser. Semeia e confia. Há um Deus!

-Quem vai nos esperar no céu? No céu tem laranja-pêra, aroma de eucalipto silvestre, rio de pedras que rolam, gatos de três cabeças, Corinthians Fiel, Bailes de Jazz, bolas de futebol? Conheceremos então a falácia do mundo supersimétrico? Compreenderemos o incompreensível, e sorriremos, porque tudo era tão óbvio e não sacamos nada, porque, afinal, com a evolução da espécie espiritualmente involuímos e deixamos de ser puros, quando só há pureza na lucidez da fé. Crer para ver.

-Quem vai nos esperar no céu? Uma mão estendida? Um único olhar cândido com perolágrimas? Uma voz de trombone-contrabaixo dizendo “você esqueceu o mais importante, filho, vai ter que voltar para ser Zen”, ou, todos os teus antepassados e conterrâneos que partiram antes, dizendo, “-Sê bem-vindo, seu ciclo lá acabou, agora podemos continuar a trilha celeste em busca das framboesas sagradas de Deus?...”

-Quem vai nos esperar no céu? Quando você nasceu, um anjo gauche lhe disse do preço a pagar aqui dessa zona de abandonos; sua mãe lhe cultivou como uma pobre flor enferma; sua família lhe aceitou apenas como uma ocasional escora de percurso; você foi amargo e doce, humanamente foi bom e ruim; a palavra cirurgicamente ferina, o coração do tamanho de um bonde, mas, a carruagem de abóboras do tempo - na meia-noite de um crepúsculo pessoal – já foi dita. (Talvez logo serás recolhido. Foste avisado pela dor instintal?. Todas as portas se abrirão pela dor da carne que é fraca.)


-Quem vai nos esperar no céu? Amigos de utopias que choraram nos nossos ombros? Sobrinhas de sangue que dormiram no seu colo fraterno?Amores tecnicamente impossíveis que perderam a trilha da encruzilhada do destino? Filhos que não fizemos e que por si mesmos se fazem? Sobrinhas pelos quais carregaríamos um trem noturno? Irmãs que foram arear as nódoas nas panelas cósmicas de nossos descaminhos de guerreiros do fogo?

-(Minha mãe pela qual eu daria a minha vida? Meus ídolos que morreram de overdose? Santo Deus! - Quando eu era uma criança sonhadora, quase apenas uma folha de cheque em branco ainda, um Rei jovial da minha juventude de pobre cantava que nos daria o Céu, mas, depois queria que tudo mais fosse pro inferno, e agora canta para Jesus Cristo que ele está aqui. Tábua de esmeraldas ou de tantos paradoxos? Quem éramos naquelas campos de lavanda dos sonhos?)

-Quem vai nos esperar no céu? Omelete de lágrimas, estrelas de açúcar cristal, e pétalas de girassóis silvestres, darão vida aos meus poemas? Eu fui meus poemas, sim, eu os vivi como cada gomo de cada segmento triste do caminho de peregrino. De lágrimas que tantos me deram eu fiz um rio caudaloso, onde naveguei o barco de minha sensibilidade-terçã. Não me achei em porto nenhum, por isso meu encantário-ninhal é a idílica Estância Boêmia de Itararé que eu amo tanto.

-Quem vai nos esperar no céu? O lobo e o cordeiro no mesmo pasto. As fontes de águas límpidas. Cântico dos cânticos entoado por todos os nossos mortos redivivos. Eles já nos deram algum sinal?. Tudo é adeus. Precisamos nos apressar e fazermos depressa o que viemos para fazer aqui, cumprir o prometido antes de nascermos de novo, do outro lado da vida, no bosque do folhudo e Supremo Anjo das Árvores.

-Quem vai nos esperar no céu, terá que nos receber com o nosso fardo de salmos novos, eu, por exemplo, com os meus livros imaginários, com minhas baladas de pescador de pérolas sem lenço e sem documento; com os andaimes de minhas esperanças perdidas; com minhas ilusões de jacintos cortados, com meus fantasmas pegajentas, com minhas máscaras de prelúdios, meus pelicanos e minhas papoulas íntimas...

-Quem for nos esperar no céu, seja quem for na ocasião do rompimento, simplesmente catará os meus restos com uma pá feita de rejeitos de ostras náuticas, depois terá que me plantar num desjardim do desmundo lirial, então, finalmente e para sempre, todas as minhas lágrimas se secarão, todas as minhas feridas se curarão como se num milagre do astral, e eu, finalmente serei então, o que não consegui ser aqui:

Um pessegueiro florido!.

............................................................................................................................

-Que Deus me perdoe, Mãe. Eu me perdi de mim mesmo nessa Zona Morta. Mas, acredito fielmente que, sim, alguém há de nos esperar no céu, alguém há de me esperar no CÉU.

Eu estarei nos braços de um anjo?

-0-


Silas Corrêa Leite – Texto da Série “Pensagens em Trânsito Neural”
Estância Boemia de Itararé-São Paulo-Brasil
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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

EGITO






E G I T O
O Ser de Si nas Tantas Vidas

Eu gostaria muito de conhecer o Egito
Que só conheço de livros e contações
Mas gostaria de, de alguma maneira voltar pra lá
Pois com certeza também já fui outra vida no Egito

Que espécie de vida eu teria tido no Egito
Muito além de Atlântida, Babel, Itararé?
Talvez um escravo ou mesmo uma sacerdotiza
Com meu harém de camelos em rituais sagrados

Vendo as crianças correndo na areia
Sou eu aquela tez avelã com espírito
Um guri levando e trazendo sândalos e ervas
Sonhando um outro novo céu e uma nova terra

Agora afrotupi-brasilis e longe do Egito
Sinto saudades do que não sei que fui
Mas gostaria de voltar a rever o Egito, talvez
Se não nesta vida, numa outra dimensão futural

As pedras, as pirâmides, as tâmaras sagradas
De um Egito ainda estão nos meus arquivos
Neurais; que transformo em poemas, revisitanças
Quando escrevo um Nilo na minha alma nau viajosa
-0-
Silas Correa Leite, de Itararé, Cidade Poema, São Paulo, Brasil
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Livros: Campo de Trigo Com Corvos, Contos
E Porta-Lapsos, Poemas, à venda no site:
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Jesus Mora Comigo em Minha Aldeia





JESUS MORA COMIGO EM MINHA ALDEIA (Poema)

Tanto falam Dele, dizem que O adoramMentem tanto pra Ele - Já mataram muito em falso nome DeleImitam-No de forma errada e rasaE até, acreditem meus irmãos queridosCriaram lojas, supermercados, muros, museus, rituaisE mentiras de fanatismos e idolatrias em nome Dele.

Dizem que Ele está no céu a direita do Criador-PaiDizem que Ele está pendido por cravos numa cruz milenarMas Ele está mais perto de nós do que pensamosE o céu pode ser o que criamos com nossas ações de caridadesCom nossas energias, ninhais e encantáriosNossos atos, mãos estendidas como lírios laranjaAmando o próximo como se a nós mesmos.

Só que eu descobri um milagre infinitalEle não está em nenhum baú de ossos ou com relíquias fantasmasNem é ícone derrotado por pregos pagõesSequer fundou religião - ou inquisições medievais com vãs filosofias de TorquemadasConfesso de cara lavada: descobri um segredo mágico Dele:Ele Está No Meio de NósEle está exatamente aqui em nossa abençoadaESTÂNCIA BOÊMIA DE ITARARÉ.

Jesus mora comigo em minha aldeia amadaTem várias cores, várias faces e muitos símbolos vivenciaisÀs vezes é de um lilás vítreo, tez de quartzo ou arco-írisE O chamamos de irmão, pai, filho, amigo, compadreOu de tio, camarada, companheiro, anjo-da-guardaQuando não O chamamos de Aurora, de Losango cor-de-abóboraOu de Prelúdio, Ternura, Magnitude, Espiritual, UltrapássaroE, principalmente Ele é mesmo, sem tirar nem pôrPobre, humilde, operário, simples, carente, bóia-friaQuando não sem terra, sem teto e muito peregrinoE eu reconheço esse Jesus Cristo na minha gente humildePois me pareço com ele, porque sou de mãe mameluca e pai judeu da Ilha da MadeiraE sou muito triste, sensível, sentidor, sozinho...

Jesus anda pelo cacau quebrado (paralelepípedos) da nossa Rua São PedroTem asas invisíveis no calcanhar e alpargatas de recolhedor de centeioPendura-se em asas invisíveis de pré-aurorais andorinhas bentasChupa picolé de limão-rosa fiado no Bar do PretoToma refrigerante Tubaína Tutti-Frutti na Praça Coronel JordãoE de vez em quando vai saracotear num baile no Clube Atlético FronteiraSerrar um abraço da Rosana Milcores (ou um sorriso xadrez do Mário da Banda Marionetes)Ou nadar saradinho como mandioca nas espumas do rio da vacaE até já foi no Biribas Blues Bar ouvir causos hilários do Zé Maria do PontoQuando não faz poesia escondido ou chora com seus lábios quadradosPor causa dos lazarentos marginalizados pelos podres poderes de anacrônicos neoliberais do demo.

Pois é isso, meus adoráveis irmãos conterrâneos alumbradosJesus mora conosco aqui mesmo em Itararé, Cidade PoemaFreqüenta todas as igrejas de abraços limpos como nuvensCoça berebas de vaidades sociais com peculatos neoescravistasSofre com poses, grifes, butins de riquezas injustas e amorais lucros impunesAdora rueiras crianças ranhentas e velhos sábios com lastro ético-humanitário.

Dia desses eu O vi com o nosso pintor premiado Jorge ChueriE até pensei que nosso amigo artista plástico O tinha pintado(Com cor de orquídea impressionista - E Lhe dera cara caseira)Mas descobri que Jesus é fã do Jorge a quem deu sua tez avelãAssim como colhe caldas de lágrimas da Professora Lázara BandoniOu sinais de véus e sândalos da Tere Iluminada com sua asa terreal de luz lilásE sei que se o tratarmos muito carinhosamente e bem(Como às suas pequeninas e humildes criaturas também)

ELE FICARÁ CONOSCO PARA SEMPRE, AMÉM.

Silas Corrêa Leite - de Itararé-SP

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

PARA ONDE VÃO AS PESSOAS QUE AMAMOS





Para Onde Vão as Pessoas Que Amamos


Para as Professoras da EMEF
José de Alcântara Machado Filho
Natal 2008, Real Parque, Morumbi, São Paulo


Elas chegam com a primavera no olhar
Sorriem – colocam ternura em nossas vidas
Conquistam nosso coração
E um dia, mudança de estação
Assim como chegaram, partem
E levam nossa alma.

Para onde vão as pessoas que nos conquistam?
Elas chegam com luz na alma e iluminam o nosso entorno
Marcam nossa esperança de sonhos revisitados
E um dia, assim como chegaram de mansinho
Preparam outros vôos, e se vão
A porta aberta para a iluminação.

Para onde vão as pessoas que nos fizeram amá-las?
Chegam doces, marcam com afeto, partem com o vento
E ficamos perdidos entre uma dimensão além da saudade
Pois a ausência não grita, produz tristeza
E então inventariamos cenários
Como um desjardim, no íntimo.

Talvez nunca mais nos vejamos
Talvez nunca mais nos reencontremos nessa vida
Talvez tudo seja uma bruma como fechamento de ciclo
Muito além de nossas identidades em comum
E nalgum ponto de fuga nos reconhecemos
Acreditando no amor, na amizade
Como uma plantação de campos de estrelas no espírito.

Talvez nunca mais seja a mesma coisa
Talvez nunca mais sejamos os mesmos
O que não cabe em nós, pois todo porto de partida
Leva também algum abrigo de nossas memórias
Assim como não sabemos para onde vão os astros
Quando o sentido de distanciamento é dentro da gente
Pois os nossos olhares irão com elas, de alguma maneira
E ficarão as lembranças dos doces momentos que passamos juntos.

Adeus, não chorem
Não choraremos; prometemos nunca esquecer vocês
Seja lá para onde forem
O que foram brilhantes aqui, de certo modo em outros lugares distantes de nós também brilharão
Outras bandeiras, outras conquistas, novos amigos
E então, de alguma maneira lá estaremos com vocês
Mas, por favor, nunca nos esqueçam
E quando descobrirem, dentro do coração
Quando tiverem a resposta, por favor, nos digam
Mesmo que seja com um sopro de menta na nossa encantação
Nos digam aqui, ou numa outra dimensão
Para onde vão as pessoas que amamos
Se junto com elas nossas vidas vão?

-0-

Professor Silas Correa Leite
EMEF José de Alcântara Machado Filho
Real Parque Morumbi, São Paulo
E-mail:
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terça-feira, 25 de novembro de 2008

Um Poema Que Salvou Uma Vida




O Poema Que Salvou Uma Vida

Ela tinha um maravilhoso lar doce lar. Era bonita, tinha um imponente marido músico, um filho entrando na fase de criança para adolescente, e ainda a idosa mãe viúva que morava com ela. Era feliz e sonhadora, a aqui chamada Estrela (nome fictício para preservar a pessoa). Tive a oportunidade de, uma vez, passar um gostoso domingo com essa amiga virtual que virou presencial. Era encantadora. Trocamos figurinhas literais.

Depois, poucas vezes a vi. Sampa é assim mesmo, uma correria, uma loucura, mas continuando grande amiga e com belos contatos lítero-culturais pela internet, entre um e-mail com curiosidade, uma colaboração para um site que ela fizera, uma idéia trocada em miúdos. Estrela era muito inteligente, criativa, romântica, daquelas que certamente ainda acreditava no amor e na esperança. No vai da valsa, anos nessa luta, eis que senão quando, um final de semana emendado com um feriado religioso, e, escrevendo um fragmento de romance fantástico, de madrugadinha, recebo por e-mail, uma mensagem curta da amiga dizendo apenas: "Meu marido me deixou. Estou muito sozinha. Não há mais saída. Penso em acabar com tudo. Vou me matar.". Mal-e-mal assinou o nome. Mas era dela, era ela, o jeitão despachado dela em crise.

Eu em casa, com a mulher dormindo, tomando uma cerveja, fiquei passado. Tinha perdido o telefone dela, não me lembrava mais o exato endereço, lembrava vagamente do almoço de quase década atrás. Fiquei sabendo muito tempo depois que a mãe tinha viajado pro interior de São Paulo, o filho numa excursão com a classe, e o marido dizendo que não a amava mais, que tinha outra, fizera as malas e sem mais nem menos a deixara. Ninguém é de ninguém. Estava sozinha e abandonada. O chão se abriu. Pensou em matá-lo. Quem realmente ama não mata. A baixa estima. A depressão. Ligou pra mãe no celular, fora de área. Ligou pro filho, número desligado. Todo telefonema que tentou, ou estava ocupado, ou não tinha ninguém para responder ao chamado urgente, emergencial. Secretárias eletrônicas registraram o grito de alerta. Começou a beber. O diabo provoca. Firmou-se a idéia. Acabar com tudo. O computador de trabalho dela, que era web-design, sempre ligado. Última geração. Lembrou-se então de um amigo poeta, um plantador de sonhos na net. Deu a deixa. Continuou bebendo. Um abismo aos seus pés. Idéias loucas. Entre a sombra e a escuridão. Mas há um Deus. Quando tiramos os sucrilhos brilhantes das estrelas, o infinito é o Criador. Mas ela talvez nem se lembre direito de como escreveu, com que peso no peito entrevado.

Do outro lado da linha, range a rede, palavras são lágrimas de almas procurando céus. Sem saber o que fazer, entrei no arquivo de word e escrevi o que se me veio à cabeça. Feito um louco escrevi. Iluminado? Não sei. Mas escrevi como se estendesse uma mão nas palavras, e mandei depressa, mandei correndo, mandei feito uma garrafa virtual contendo um antídoto, para uma ilha deserta, uma alma perdida, uma ferida aberta no caos das improbabilidades. Escrevi o poema que fluiu com o tema:
SALMO PARA UMA AMIGA POETA


Não são todas as estradas que vão dar no sol.
Há nuvens que nos desviam dos endereços íntimos.
Claras são as mensagens, mas não vemos o que precisamos ver...
Vemos o que queremos ver.
(O que sentimos daquilo que vemos?
O que avaliamos daquilo que pensamos sobre o que vemos?)
Temos os lírios brancos e os campos de lavanda, e o que vemos?
Os gravetos, as pegadas na terra, as sombras.
Olhamo-nos, e não nos reconhecemos.
Em que Sala de Espelhos deixamos os nossos versos mais cândidos?
A poesia pode ser uma janela - um respiradouro.
Escrevo porque não sei me matar.
Na dor, dou testemunho de meu cálice transbordando.
Olho-me, e não me reconheço em mim. Mas sinto algo-alguém acima de mim.
Quem realmente vela o meu pesadelo?
Aquele que anda nas nuvens e incendeia os oceanos.
Aquele que coloca rímel na minha tormenta ácida.
Vejo passos na linha do horizonte.
Cortam-me as esperanças, mas eu me fermento entre avencas
Arrancam-me as mãos mas eu escrevo na parede de um silêncio tácito.
Não quero ser vencido pela dor, pois meu criar arranca as sandálias das minhas abstrações e me faz voar acima de águas límpidas.
Que sal há nas lágrimas? Faço saladas de sonhos.
Que açúcar meu olhar desata? Faço cadarços para vôos além de arrebentações.
E quando o vinagre de meu corpo sai como quireras líquidas, junta formigas para irem distribuir realidades paralelas no meu Eu de mim.
A morte não existe, então porque deixar que ela vença?
Que sabedoria é o amor que tange, marca, mutila, preda e engessa hábitos torneados em dialéticas de ausências?
Tenho caravelas paradas no porto, e caravelas não foram feitas para encalhes de marés.
Há um sextante no mais alto altar de minha espiritualidade
E eu só caminho peregrinador, pois sei que água parada atrai tempestades em corpos estranhos.
Viajo-me no criar.
Alimento-me de ostras de outras dimensões-travessias.
Visto-me de um cacto rosa, e no quartzo-róseo de meu íntimo, procuro flores murchas em saídas de emergências.
Descanso o pulso do meu lado Sentidor, em diálogos com amigos e irmãos secretos.
Dispo-me de amarguras e melancolias
E escrevo salmos-mantras-banzos-blues
Contemporâneos - como um cinzel na minha alma pisada
Só que eu bem sei
Que quando amanhecer um Sabat qualquer, sabendo que meu reino não é desse mundo
Darei manjar de framboesas silvestres aos anjos
E a groselheira seca de minha alma reviçará
Pois é o espírito que ama o espírito
E depois de todas as cisternas, desertos, ilhas, cimitarras, maus pensamentos e butins
Ao religar-me com o Criador, na prece pré-auroral (frente a um tentativa de abismo)
Ele me levantará de mim mesmo, de minha nudez de dezelo atribulado
E me lavará de todas as atribulações humanizadas
Porque “O Que Fez” é a minha rocha
E eu sou apenas uma migalha de sua luz, honra e busca
Para sempre
...................................................................................................................................................

No outro dia, mal morreram as estrelas, comentei com a minha esposa. A situação Ficou louca, reclamou que eu deveria ter ligado para alguém da área, alguma autoridade, tentando achar o número na lista. Ficou apavorada, solidária, enfim, deu-me até um pito. Fiquei chateado. Triste. De antenas ligadas. Pedindo a Deus uma benção, um milagre, um sinal, um solarium ou um respiradouro. Fiquei de tromba. À tardinha, o suspiro. Minha amiga me respondeu. Estava viva. Triste, amarga, mas tinha sobrevivido. Não me lembro bem exatamente o que ela comentou, como ou com que palavras, faz algum tempo, só sei que foi o mais belo "Obrigado" que recebi em toda a minha vida de uma leitora.

Depois do obrigado, disse que meu poema fora uma benção. Que tinha salvado sua vida. Que o lera muitas vezes, em lágrimas, até dizendo de energia e espiritualidade que eu mesmo não reconhecera no fazer poético feito um jazz improviso. Depois, disse ela, imprimiu o poema, dobrou-o, e o gu arda como um talismã entre seus pertencimentos íntimos.

Quando quis chorar, e quis muitas outras vezes, quando quis baixar a guarda, e teve idas e vindas diversas vezes, quando a depressão pintou, e a dor de uma perda é conferida na ausência que nos tira o chão, ela pega o poema e lê em voz alta, lê pro coração, pra mente, pra alma, lê como uma defesa, um elmo, um resgate íntimo. Então volta-se a si, a cicatrização é triste mas nada como um novo grande amor, para acabar com a perda, a dor e a frustração de um ex-eterno grande amor que não foi para sempre, mas, ainda assim é fechamento de ciclo, lição de viagem, pedra no sapato para você tirar o peso e calçar sandálias de luz.

O poema claro, ganhou a web, teve versão em espanhol, saiu em jornais e revistas, constou em discurso, em tese de fechamento de curso superior, esteve em convite de formatura, foi lido em missa, em festa de natal evangélica, em evento religioso, em funeral feito um salmo contemporâneo de conforto, um e outro sabe da história, outras pessoas em crise me pediram ajuda, conforto, companhia virtual (nem sempre se vê lágrimas no escuro, diz a canção) - a solidão na frente de uma tela de computador com um teclado frio ainda é uma solidão real - e lá mando de novo o otimizado e bendito poema que salvou uma vida.

Posso não ter todos os meus livros lançados, todos os meus trabalhos reconhecidos e impressos, mas, ter escrito este poema, de improviso, de supetão digamos assim, preocupado, sem saber o que fazer mas tentando ajudar na medida do impossível; me colocando no lugar de uma pessoa que rasgava o peito de dor, e ainda assim de alguma maneira ter evitado o pior, a terrível perda, um ato insano, já valeu para mim o antigo velho sonho que tive faz muito tempo lá em Itararé, com pouco mais de oito anos, de ser um escritor, de ser um poeta, de ser um plantador de sonhos na tábua de esmeralda dessa louca vida moderna e sedentária de tantos desencontros, traumas e frustrações.

Enquanto um poema puder salvar uma vida, uma pintura datar uma dor como Guernica, e uma canção poder dizer que o mundo é maravilhoso (Louis Armstrong), vai sempre valer a pena fazer arte, acreditar no amor, na esperança como inteligência da vida, sonhando sempre com um humanismo de resultados.

-0-

Silas Correa Leite, de Itararé, Cidade Poema, São Paulo, Brasil
Autor de Porta-Lapsos, Poemas, e Campo de Trigo Com Corvos, Contos
E-mail:
poesilas@terra.com.br
Site: www.itarare.com.br/silas.htm
Livros do autor no site: www.livrariacultura.com.br

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Cantagonias - Vista-se de Gente





CANTAGONIAS
(Vista-se de Gente)


Vista-se de gente.
Você conseguiria?
Cara a cara, o espelho frente a frente
Quem sabe se talvez um dia...
Vista-se de gente
O que nos diferencia?
O humanismo de resultados potente
A esperança que nos alumia
Vista-se de gente.
Antes você parecia
Agora que ao sol tem um lugar-tenente
Você discrimina, diferencia?
Vista-se de gente
O cargo, quem diria
Você quer ser mais do que é, somente
Por neuras de vã hipocrisia?
Vista-se de gente
Negro, índio, todavia
Somos terráqueos da espécie que sente
O remorso de cada dia
Vista-se de gente
Pareça com o que cria
Ou você no íntimo é vulgar e impotente
E serve à selvageria?
Vista-se de gente
Ninguém desconfia
Que você é metade um ser consciente
E do que sobra desconfia
Vista-se de gente
Pareça-se com valia
Por que com a morte em sua frente
Você se anularia...

-0-

Silas Correa Leite
Itararé, São Paulo, Brasil
www.itarare.com.br/silas.htm
E-mail: poesilas@terra.com.br

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Barack Obama: Afro-América




PRESIDENTE BARACK OBAMA
Afro-América: Um Negro Afrodescendente no Poder dos Estados Unidos

“Deus não joga dados”

Albert Einstein



Depois de um operário metalúrgico (que foi perseguido, preso e condenado por uma ditadura militar incompetente, corrupta, violenta e senil) no maior país da sulamérica de áfricas utópicas, dando um show no poder do Brasil S/A, surpreendendo o mundo inteiro que elogia o Lula Light que tem um anjo no ombro direito como disse uma rainha européia, afinal, um negro vence as eleições para presidente nos Estados Unidos, e assombra o planeta todo pela conquista histórica. Num país extremamente racista, terra de Luther King, Barack Obama chega ao poder e enche a terra de homens livres de esperança por atacado. Será o impossível?

A América Rica respira luz. A América Pobre espera e confia. O câncer que o funesto neoliberalismo se tornou, uma falsa lei de oferta e procura (o crime lesa-pátria do camuflado livre mercado), máfias e quadrilhas no capitalhordismo americanalhado, depois do pior presidente que os EUA teve, o clã Bush que faliu o país, a esperança finalmente se renova com um negro de origem afromuçulmana de quilate e uma história surpreendente de evolução, determinação, estudos e grandeza limpa.

Parece um filme de Hollywood. Com roteiro de Monteiro Lobato.

Esperamos mudanças. Sim, nós também podemos sonhar com mudanças que ativem qualidades humanas e princípios de humanismo de resultados. Desde o fim do papel de xerife do mundo que os EUA presunçosamente ostenta, desde a abertura ampla e irrestrita do mercado interno para um globalizado mundo de países emergentes como o Brasil, desde o fim do boicote insano à Cuba, até a criação de um projeto de Fome Zero a nível Mundial. Ou, muito pelo contrário, talvez, nem tanto. A política econômica dos EUA é algo engessada, numa estranha democracia de só dois países se revezando no poder, mas, Barack Obama, advogado, negro, protestante que estudou o islamismo, de origem africana pobre, com uma portentosa primeira dama a lhe dar suporte e estrutura, talvez ainda assim e por isso mesmo possa finalmente impor seu estilo e ritmo todo particular de ser, todo pessoal.

As midiáticas aves de mau agouro, no entanto, como bruxas do retrocesso, aventam com a probabilidade do presidente negro vir a ser assassinado. Além de nebulosas lendas a respeito do presidente negro, coisa de reacionários de lá e de cá, mentes pequenas. A triste história se repetirá com Barack Obama também, a partir de poderosos feudos racistas do país mais rico do mundo, que tem a clandestina Klux-Klux-Klan? O mundo está de antenas ligado. Um novo ciclo se inicia.

No lumiar do terceiro milênio, a esperança se renova.

Só nos resta sonhar. Eu tenho um sonho, como Mártir Luther King. As comparações são inevitáveis. Eu era um guri que amava os Beatles e Tonico e Tinoco, e era contra o agente laranja na guerra do Vietnã, quando o grande líder negro dos direitos civis nos EUA foi morto e na verdade nunca se puniu o verdadeiro mandante, como também no caso dos Kennedys e outros.

Que a América Rica em vez de impor sua vontade de império bélico e econômico ao mundo (também em fase de mudanças radicais para melhor em todos os sentidos), parta para princípos éticos-humanitários de rever condições sazonais, atue em negociações honestas de campos diplomáticos, pense em seres humanos, não em estatísticas de bolsas de valores ou índices de crescimentos unilaterais em enriquecimentos ilícitos impostos por neoliberais, principalmente.

E que, em vez de mandar bombas para o Afeganistão, Irã ou Iraque, mande o seu famoso padrão de vida, de qualidade. Imaginem só – eu tenho um sonho (sonhar pode, Lennon?) – aviões norte-americanos de última geração, “bombardeando” países pobres ou com graves problemas, inclusive de fanatismo religioso ou ortodoxia marxista utópica, com tvs, i-podes, mpb-tantos, lap-tops, dvds, além de blues, filmes, hot-dogues, cokes, calça jeans, hambúrgueres, jipes da ford. Quem não quer?

Daremos nossa cota de dor aos brancos anglo-saxônicos?

O mundo espera e confia. Como um estudioso e pensador, sonho, teimo, avalio, mas pressinto, e estou de butuca, sondando o devir, mas torcendo a favor, claro. Quando dá lucro é privado, quando dá errado é público? Tô fora. Vade retro. Como disse o Lula Light quase dez vinte atrás, prefiro um capitalismo onde aquele quem fabrica o carro também possa comprar um. Já pensou? Você pode sonhar comigo.

O mundo espera e confia. Que Barack Obama, estrela democrata seja o que se espera dele, e faça o mundo sonhar com uma paz cantada por John Lennon, e almejada por todos os povos. Que ele seja o fermento da mudança desejada, o sal entre as sepulturas mal-caiadas dos podres poderes insanos no planeta globalizando a sua economia mundializada só para alguns new-richs. Um índio, um religioso, uma mulher, um metalúrgico e agora um negro. Barack Obama será o inicio de um novo ciclo.

Conseguirá ele tirar o decrépito EUA das cinzas da história, das sombras de corrupções e roubos bancários legadas pelo Clã Bush et caterva? Sim, porque recebe a herança maldita do clã Bush, o pior presidente que o país teve, ou também pagará o amargo preço que a história racista dos EUA impõe ao país, entre imigrantes segregados, pobres abandonados à própria sorte, feudos de miséria e exclusão social, modelito canhestro copiado pela américa pobre de tantos ameríndios e afrodescendentes entregue à própria sorte? A sorte está lançada.

No Cassino do Humanus Mundi somos todos da espécie humana.

Que na terra dos homens livres, um negro digno brilhe como o Metalúrgico Lula no Brasil de tantas esperanças revisitadas.

Afinal, a esperança é a inteligência da vida.

-0-

Silas Correa Leite – Poeta, Professor, Conselheiro em Direitos Humanos (SP)
E-mail:
poesilas@terra.com.br site: www.itarare.com.br/silas.htm
Autor de Porta-Lapsos, Poemas, e Campo de Trigo Com Corvos, Contos.
Texto da Série: “Toda História é Remorso” Artigos, Ensaios, Bravatas, Panurgismos e Esperança de Humanismo de Resultados.

domingo, 19 de outubro de 2008

Identidade da Dor, Poema em Espanhol, Tradução Everardo Torres Glez




IDENTIDAD DEL DOLOR

(Poema para el Centenario de la Inmigración Japonesa)


Hiroshima aún está allá

Como un espejo

Una bomba no mata una ciudad

Una identidad del pueblo

Una idea espacio


Nagasaki aún está allá

Y refleja a Hiroshima

No por la radiación más

Por lo que ambas fueron y serán

Los restos de Hiroshima

Aún son Hiroshima

Como los escombros de Nagasaki

Tienen una identidad silente

Nadie mata a Hiroshima o a Nagasaki

Nadie puede matar la vida

O una identidad histórica y espacial de vida

La bomba no mata el dolor

De lo que dejó la guerra

Y ese dolor que dolerá infinitamente

Será Hiroshima

Será Nagasaki

Porque la paz acredita al dolor

Perpetrado en una lágrima

Como diseño en la nostalgia

Que la luz lee en la sangre

En las flores del cerezo


Como haicais, en el átomo.


-0-


Poemas de Silas Correa Leite, Itararé, São Paulo, Brasil




Tradução: Everardo Torres Glez, Duranguito, México

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

VISTA A MINHA PELE, POEMA





Poema Para 20 de Novembro

Vista a Minha Pele

Dia da Consciência Negra
Dia da consciência branca
Dia da consciência pesada

Silas Corrêa Leite

Vista a minha pele

Você conseguiria?

Seja negro só por um dia

Seja preto por mim

Somando todas as minhas cores assim

Vista a minha pele

Sinta a minha cor

Seja você quem for

Capture a minha dor

Lá dentro de mim

E procure me compreender melhor assim

Vista a minha pele

Eu sou igual a você

Ser humano porque

Corpo, Mente, Coração

Então, por que racismo e discriminação?

Vista a minha pele

Sou vermelho por dentro

E negro sempre cem por cento

Afrodescendente

Além de para sempre

Inteiramente ser humano e sobretudo gente

Vista a minha pele

Vista-se de mim

E procure me entender seu igual assim

Seu irmão da maravilhosa e cósmica raça

E então veja tudo o que dentro de mim se passa

Assim você confere

Assim você vai se sentir

Dentro da minha pele

Como eu quero ser árvore e florir

Como eu quero ser janela e me abrir

Como eu quero ser estrada e prosseguir

Que eu quero ser estrela e sorrir

Sem ninguém para me ferir

E você vai captar então

A pureza do essencial

O que eu quero é total libertação

E todos iguais na coloração

Numa democracia racial

Vista a minha pele

Seja um pouco eu mesmo por aí

Dentro de você - para você sentir

Sou preto brasileirinho

Sou negrão e sou negrinho

Sou negro do seu mesmo valor

E tenho a Mama-África no meu interior

Depois de me vestir e de se sair de si

Deixando de ser eu negão aí

Venha me estender a sua mão

E de coração para coração

Abrace-me como um seu completo irmão

Pois a nossa pele espiritual será uma só então

Numa sagrada celebração.


-0-

Silas Corrêa Leite, de Itararé-SP, Poeta, Educador, Coordenador de Pesquisas da FAPESP-USP-Culturas Juvenis – Autor de “Porta-Lapsos”, Poemas, e “Campo de Trigo Com Corvos” Contos, Editora DesignEMEF José Alcântara Machado Filho, Real Parque, AR-BT, São Paulo-SPEndereço eletrônico:
poesilas@terra.com.brSite: www.itarare.com.br/silas.htm
Texto da Série: Afrobrasilis – “Amalgamados - Dos Filhos Deste Solo”
(Silas Corrêa Leite, inédito)

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Nunca Estarei Só





Nunca Estarei Só (Poema Querendo Ser Letra de Blues)

“Escrever é preciso
Viver não é preciso”


Apesar de às vezes me sentir numa caverna do cosmos
Com o peito entrevado por causa das amarguras da vida
Nunca estarei só pois minha alma ainda habita a poesia
E de lá trago celestidades que alimentam meu ser carente.

Quando eu quero respirar música na minha alma nau
(Tempos de solidão e de tristeza que não são desse mundo)
Então eu leio um poema ou escrevo uma letra para blues
E coloco para fora do espírito todas as teias de sofrimento.

É como compor um blues quando se pensa em se matar
Porque a arte é uma libertação, e escrever algum poema
Deixa o rastro de nossa existência com toda sensibilidade
Na tábua de carne da terra ainda precisando de muita luz.

Nunca estarei só pois os poemas me fazem companhia
Habito um espaço letral que me refrigera e me revigora

Meu reino não é desse mundo. Como um poeta lusonauta
Vou compondo a minha página de rosto na sobrevivência.

-0-

Silas Correa Leite, Itararé, Cidade Poema
E-mail:
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Poema da Série “Éramos Blues”

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

A VIAGEM




A VIAGEM

Não adianta ser longa a Viagem
Ou muito distante o último horizonte a ser atingido
Um dia sempre voltamos para nós mesmos
E descobrimos que estamos em casa
Onde tudo um dia começou.

Podemos morrer na tempestade em alto mar
No deserto atrás de uma borboleta de ouro
Mas quando desfalece o corpo o espírito se liberta
E achamo-nos novamente no mesmo lugar
Em que demos o primeiro choro, o primeiro passo.

Se você for céu, haverá céu nessa hora
S você for relâmpago, haverá muita chuva
O lugar de início será o mesmo lugar onde deixaremos de existir
Porque longe pode ser também um lugar dentro da gente.

Quando rompemos a placenta da barriga gestora
Fundamos ali um marco historial
O céu ou o inferno desenvolveremos a partir dali e de nós
E seremos depositados no mesmo lugar
Em que demos o primeiro passo na existência desse plano dimensional.

Na hora final todos os nossos momentos
Passarão com um filme rápido em nossa mente atiçada
E a nossa última lágrima de dor
Ou a nossa alegria de libertação
Então se fará ouvir como se o último passo fosse também o primeiro
Agora de resgate, ou do recomeço.

Seremos recolhidos para sermos pesados no espírito
A evolução, a conquista do mérito
Ou o aumento do débito terrestre
Depois seremos remarcados para o horror de termos que voltar
(Tudo de nosso, até o pleno aprendizado devido)
Ou libertos para sempre do inferno da terra onde o tempo é algoz.

A Viagem, portanto, é sempre dentro de nós.

-0-

Silas Correa Leite – E-mail:
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terça-feira, 7 de outubro de 2008

O Poeta se Apresenta






“Ser poeta é a minha maneira de chorar escondido/ nessa existência estrangeira em que me tenho havido”.

“Fugi do colégio interno/ fugi do quartel inferno/ fugi da ditadura de gravata/ farda, togas e terno/ e assim poeta moderno/ me descobri/ Ser Humano sem pedigree.”

“Que o bom Deus me proteja/ mas não tem remédio/ prefiro morrer de poesia e cerveja/ mas não de tédio”.

“Fujo de casa/ para o trabalho/ Fujo do trabalho/ para a escola./ Fujo da escola/ para a poesia./ Na poesia sou/ íntima fuga./Ponto de liga/ alma sem ruga. / A casa, a escola, o trabalho/ que fuga me sou? Se sempre me levo comigo/ para onde me vou?/.

“Quando quero estar um pouco a sós comigo /esqueço, desligo/ e tomo uma cerveja gelada…”

“ Nunca amei ninguém/ que fosse parecido comigo/ até porque persigo paz./ e não esconderijos./ nunca amei ninguém/ com medo de ser oásis.”.

“ A luz que me desce agora,/ é luz dentro que não se vê fora./ Fora a sombra cresce, agride, cora,/ enquanto a luz de dentro impera e mora”.

“A carrocinha do padeiro/ tem um buraquinho bem no meio/ e vai semeando andorinhas/ atrás do farelo de pão”

“Minha mãe fritava polenta/ e convidava a aurora para o banquete.”

“A cebola nossa de cada dia/ nos daí hoje/ para que choremos cotidiana poesia/ (nos ninhais de selvagem alquimia)/que sempre nos foge.”

“Sempre fui muito sozinho/ abandonaram-me quando nasci./ Minha pobre mãe deixou/ que eu existisse. / Hoje acostumei-me a ser sozinho/ abandonei-me em mim./ Acho que eu mesmo fui minha mãe./ não sei nunca mais deixar de ser sozinho assim./ Fiquei refém de eterno abandono./ - Mãe, tende piedade de mim!”

“Eu sou assim./ Uma noite mascarada de dia./ E de noite um córrego borboleteando Poesia./Tomo essência das coisas como elas são./ E, relendo-as, completo-me em suprema inteiração.”

“A mosca encontrou um garçom/ cheirando a detefom/ dentro da sopa”.

“O telefone toca/ e eu fico ligado/ preocupado/ assustado. / Em casa não tem telefone/ E eu sou só um número errado”

“ Estive em Itararé/ e não me lembrei de ninguém./ Porque quem não está em Itararé/ está sem.”
“ Deixei meu coração em Itararé/ na periferia cor-de-rosa da Vila São Vicente/ / Ali sob um flamboyant florido/ Ainda pulso, viço e glorifico a vida/ / Deixei meu coração em Itararé/ À beira do rio verde entre pinheirais/ /A criança triste que eu tenho sido/ É essa distância de cavaleiro boêmio./ /Deixei meu coração em Itararé/ Sob a lua caipira da Praça Coronel Jordão./ Deus sabe o quanto tenho sofrido, / procurando uma estrela nova no céu./ Deixei meu coração em Itararé/ e corro atrás de uma estrada que não existe./ Talvez por isso eu seja um poeta triste, buscando a criança que me perdi de ser./”


Os versos foram extraídos de Porta-Lapsos, livro do amigo poeta Silas Corrêa Leite.


Maria Apparecida S.Coquemala (Maria-13@uol.com.br) - Itararé-SP

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Ordem e Progresso, Poema




Ordem e Progresso


Quantos meninos de rua
Herdeiros do futuro
Artistas desperdiçados
Se perdem em becos e guetos
Em cachimbos de crack?

Quantos Lulas, Romários
Herdeiros do futuro
Com cicatrizes-tatuagens
Como cincerros narcísicos
Se perdem em antros de drogas?

Quantos filhos das ruas
(Ainda lhes restam as ruas)
Sobrevivem com fome e medo
Nas bocas de fumo em busca
Da pátria amada salve salve?

Quantos órfãos do Plano Real
Na periferia sociedade anônima
Procuram um outro destino
Além da bala pedida
Entre contrastes sociais?

Quantos filhos deste solo
Mestiços, índios, abrobrasilis
Cardumes de raças
Em cachimbos de crack
Sonham outra ordem social?

................................................

Carentes amalgamados
A sobrevivência deforma
O neoliberalismo cria monstros
A dor que balança o berço
Pátria Amada Brasil?

-0-

Silas Correa Leite, E-mail:
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quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Estrela Amarela




ESTRELA AMARELA


Estamos na temporada de chuvas
Ainda que seja primavera, na centelha
De tristes relembranças curtidas
Em sal e vinagre de maçã vermelha

No entanto, Jesus Maria José
Já sinto o cheiro de dezembro
Com suas belas luzes coloridas
E cheiro da infância, de Itararé

Estou em estado de música
Elétrico - como uma página de relâmpago
O coração com paletas coloridas
E a alma reviçando muito além
das lágrimas de um recente inquerer

Passei tempo de exílio, ainda lembro
O carvão da tristeza, no sofrer
O Natal chegará iluminando duras lidas
No presépio amargurado do meu ser

Espero que a vida devolva sem seqüela
O historial íntimo do meu lado sentidor
Assim, no novo mês de dezembro
Muito além de ressentimentos e feridas
No Natal - como uma estrela amarela
Estarei finalmente enfeitado de Amor!

-0-

Silas Correa Leite, Itararé-SP, Brasil
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terça-feira, 30 de setembro de 2008

My Way




My Way


Um dia você acorda e olha pra trás
E diz: eu não era nada.
E vê toda vida que fez do seu jeito
E pergunta: terá valido a pena?
Você acha que venceu na vida
Mas sabe: o que restou de você?
Talvez muito pouco ou quase nada
Daquilo: uma criança pura.

Um dia você cai em si e teme
O resultado: o que fizeram de você
A luta a dor, as amarguras e
Seqüelas: terá sido uma vitória?
Dentro do seu coração os sonhos
E as escuridões: são os poemas
Que você escreve porque tem medo
De se matar: morrer depois de tudo?
..............................................................
Um dia você não quer olhar pra trás
E nem pra você: foge para a poesia.

(Na escrita há um tempo irreal
Uma ilhota íntima: você em você!)

-0-

Silas Correa Leite, Itararé, SP-Brasil
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segunda-feira, 15 de setembro de 2008

DORNA (Poema)




DORNA

Eu procuro seus olhos dentro da noite enferma
Mas é só silêncio e solidão. Sofro.
Os corvos da amargura me rondam.
Como eu queria estar morto agora!

A noite é cinza como a minh´alma.
Ninguém me estende a mão. Vegeto.
Escuto descompassos nos labirintos do espírito
E há passos no porão de minha miserabilidade.

Estou cercado de muros. Beijo o pântano.
Quase habito a quarta dimensão, a minha alma.
Sozinho escrevo ressentimentos velhos
Fantasmas, neuras, desconstruções, ilicitudes.

À margem de mim mesmo; a vida entrevada.
Já não tenho nada a perder. Escrevo.
Neil Sedaka ao longe canta Solitaire ao piano de cauda
Como se espremesse limões nas minhas cicatrizes.

Sou vinho azedo, mosto, na dorna.
Tristices escoam pelo ralo. Cariz.
Talvez ao amanhecer eu esteja finalmente morto
Ouvindo o piano da aurora ornar a crista do sol com meu abandono.

-0-

Silas Correa Leite, Itararé, São Paulo, Brasil
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sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Você Merece o seu Animal?




Você Merece o Seu Animal?



-Você faz por merecer o seu bicho predileto que pensa que foi ele quem escolheu você? Você o leva para passear, deixa que ele perca suor, perca peso, tropece no tapete das etiquetas, babe por aquela cadelinha da lanchonete da esquina, ou se insinue para aquela outra zinha do apê vizinha, sempre engaiolada, cara de fuinha atrás de um amante de perdição escondendo o falso rabinho entre as pernas além do silicone no coração?

-Você lhe dá uma porção diária de ração natural de amor viçado, deixa-o pensar que manda e é o tal herói, quando ele faz um rápido cafuné maquinal decorado e depois dispensa tedioso você quintal afora, ou você, na próxima reaproximação, esconde o chinelo do dezelo íntimo dele; ou você saca bem a pequenez do tipo e rói o osso da mediocridade humana, sempre perdoando feito um anjo?. Ninguém merece, não é mesmo?

-E quando o seu animal fede como um gambá, sabe como é, o bicho não é lá muito de tomar banho, tem um sovaco vencido com cheiro de fedô que é um risco de vida pro seu ambiente natural de sensibilidade. Ele também deveria ter um poste pra se enxergar, não é isso, cara? Mas não caia nessa de retaliar. Tenha paciência. E quando o seu animal está no cio – e ele como auto-afirmação parece estar sempre no cio – pede a ração sedentária de sempre; rosna pro concorrente com cara de hipopótamo metrossexual, demarca território – cigarro, cinzas, caspas, cabelo caindo (a descompensação hormonal) – e ainda faz cara de enfezado, querendo concorrer com você em matéria de flatulência, demarcando território?. Onde já se viu isso? Proteja-se nessa hora. Evacuem o quarteirão!

-Cuidado com o seu animal. Ele fica cada vez pior com o passar dos anos. Deveria adotar um outro filho, um primo, talvez, um sobrinho pobre, um menor carente. Ajuda mútua. Ele dá bola pra você? Colocou um nome ridículo né não? Ele tem essas coisinhas impróprias lá dele, mas, no fundo o cachorrão está mesmo é querendo provar é o rei do pedaço, quando é um palhaço com juba. Pobre do seu animal. Decadência pura.

-E o canil de estimação dele, então, você acredita? Mal ventilado, tem tantos tarecos; ele tem um mau gosto incrível, você acaba tropeçando naquelas coisas todas, tarecos, restos dele, cacos dele, ácaros dele, pelagem dele, mas ele não sente como você, ele na verdade não tem o seu faro apurado, o instinto dele é mais de ataque irracional, você sabe, afinal, são os labirintos da cadeia alimentar, ele é meio lelé da cuca nessas coisas. Não cheira tudo o que come. Ele precisa é de um veterinário para dinossauro. Já pensou?

-Quando ele chamar você de pulguento querido, não ligue. Trate o seu animal como um bicho de estimação mas, perdoe. Esse é seu jeito todo gentil de ser fiel. Ele acha que vai durar muito, no entanto, se você não o levasse para passear, para correr, para dar voltas no parque, qual seria a desculpa que ele iria dar para morrer tenso, de enfarto, de estresse, de úlcera, de diabetes, de gula, de raiva, de nojo, pois que o lazarento adora carne vermelha e de se empanturrar de rações enlatadas, saturadas, embutidas, destilados, essas porcarias com grife. Ele está se matando e não sabe. E ele não entende os seus sinais. Enxerga e não vê. Pensa que pensa.

-Cuide bem de seu animal. Ele não está com essa corda toda não, mas tá se achando. Dê um tempo. Seja gentil mais uma vez. Pondere. Dê uma trégua. Afrouxe o laço. Faça-o pensar que está no comando. Sacou essa? Não arrebente o laço afetivo, essas relações com animais são assim mesmo, demoradas; é mesmo muito difícil criar vínculo, manter o elo, deixar pra lá as patifarias, o sal grosso das ocasiões, as nódoas de intenções, as gorduras ególatras do comportamento pseudo-racional, as triviais vaidades e os bocós objetos de adorno, bibelôs que nem Freud explica. Na verdade o seu animalzinho não cresceu ainda, não evolui direito a própria espécie desde que descobriu o fogo e a roda, é quase um brucutu ainda. Vai demorar um tempão.

-Cuide bem dele assim mesmo. Como o seu animal é exibido, não é assim? Vai a velório e quer aparecer mais do que o defunto. Carência é só isso. Trate-o bem. Não fique nervoso como ele que é sempre nervoso. Ele na verdade sabe que, quando há perigo, pode contar com você “de grátis”. Não late e não morde, não risca sofá com as unhas mas, às vezes é um perigo por isso mesmo, porque é muito barulhento, topetudo, turrão, medito a sebo. Quando não dissimula, camufla. Relaxe, muita calma nessa hora. Não adquirira a personalidade desse cavalo. Deite perto dele, permita um afago, se preciso, ouse, mie alto, imite um pangaré, dê umas lambidas de veludo nele, cheire, salte sobre migalhas de tremoços de saudades invisíveis, mas, segure a neura dele, a depressão, a crise, o esgotamento, sublimações enrustidas. Ele quer ser leão mas é um piolho. Às vezes um pólem. Ele não foi treinado para existir, é muito ruim de aprender, a sensibilidade dele está atrofiada faz séculos. Você é mil vezes melhor do que ele, mas, por favor, não deixe transparecer a sua superioridade. Seja humilde. A coleira é mais uma insegurança dele. Você é tudo o que ele tem. Quem mandou bancar animal de estimação de uma pessoinha problemática. Você foi escolhido por ser especial para a situação grave dele. Você pode ser a própria salvação dele.

-Quando ele abaixar a cabeça, derrotado, triste como uma lagartixa albina, saiba latir feito um muxoxo, ofereça a patinha num gesto de afeto, de compreensão, feito um ocasional salva-vidas. O seu ser humano de convivência é assim mesmo. Se você não fosse tão importante, essa pessoa não teria nada a não ser você. A troco da parca ração diária dele, ofereça companhia fiel. Isso é da sua natureza. Se o seu ser humano de estimação estiver meio abilolado e querer imitar você, deixe. Ele não tem competência para ser um cão, um gato, uma, girafa. Já andou de quatro e fez feio, até descobrir a condução móvel do cipó. Ame-o e deixe-o amar do jeito limitado dele, mal-e-mal um paquiderme, uma baleia azul. Você, cão, gato é superior a ele. Mas não demonstre. Seja forte sempre como você sempre foi. Segure as barras pesadas dele. As piores garras são a dos homens. Você sabe se ele foi vacinado? Esse reprodutor castrou tantos sonhos leais e nem sabe...

-As relações humanas doem, são complexas como você bem sacou, cheirando problemas. Então eles se amparam em seres como você, mas, verdade mesmo, os piores animais são eles, os homens, as mulheres. Os piores poluidores do Planeta Água. Brinque com ele mas fique com uma patinha atrás, de vez em quando. Anime-o, faça piruetas, leve-o para passear, seja serelepe, assim ele perde o colesterol, a barriga, melhora a circulação e, ainda, você será a bendita proteção dele, apesar dele pensar que é superior, essas coisas. Ele às vezes acha que é o que não é. Não tem limites, nem cercas, nem controle remoto. Faz parte. A vida é assim mesmo Lulu, Rex, Tintim, qualquer nome que você tenha, quer seja Donzela, Esfinge ou Sabonete, sabe, eles arrumam cada nome, não têm noção do ridículo mesmo. Isso é coisa da espécie humana às vezes nem tão humana assim. Você tem que sobreviver entre eles como puder, sem refugar, sempre perdoando.

-Você faz por merecer seu animal, mas, cá entre nós, o homem que pensa é seu Animal de Estimação (mas pensa que é seu dono), faz por merecer você? Cachorrinho, Gatinho, Papagaio, o que quer de precioso que você seja, tenha dó, cuide bem de seu animal de estimação, o egnimático Bicho Homem. Mil Luas pra você!
-0-
Poeta Silas Corrêa Leite – E-mail: poesilas@terra.com.br - Site pessoal:
www.itarare.com.br/silas.htm
E-book (romance místico virtual) ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS
no site www.itarare.com.com.br

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

A ALMA DE TOLSTÓI





A Alma de Tolstói

Muito além das montanhas da Rússia
A alma de Tolstói ainda viaja
E se alimenta das impropriedades insanas dos seres
Perdidos como ilhas de nódoas entre tapumes falsos.
A alma de Tolstoi tenta compreender o incompreensível
E quer salvar todos os seres
E alguns pobres seres que são reses entre estátuas e cofres
E ele muito se admira de se perder de si sonhando improbabilidades que não aceita no humanus.

Muito além das montanhas da Rússia
O espectro de Tolstói ainda vaga
Tentando reconstruir a sua terra além da bruma
Que o terrifica no íntimo insarado de pensador.
Porque a alma de Tolstoi é a própria Rússia ferida aberta
E ele procura píer, estação de trem, portos seguros
E alguns outros que lhe vão sendo aberto além
Do que ele de si mesmo deixou como tesouro triste
A vida humana, a besta-fera, o ser desatinado.

Muito além de todos nós que o ainda traduzimos
São tantas as almas penadas que, procuram
Um livro, uma arte, um mudo de regurgitar além do lodo
O que a vida nos dá de horror e neuras e escombros
Como à Leon Tolstoi que escreveu sua guerra sem paz.

-0-

Silas Correa Leite – Poeta, Ficcionista, Ensaísta
Itararé-SP – Prêmio Ligia Fagundes Telles Para Professor Escritor
Autor de CAMPO DE TRIGO COM CORVOS, Contos, Editora Design - E-mail: poesilas@terra.com.br - Blogue: http://www.portas-lapsos.zip.net/


segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Porque Sou Professor




Por que Sou Professor


Para a Mestra Nancy Penna (Itararé-SP)


Sou PROFESSOR porque...amo a vida, amo as pessoas, amo servir e trocar confeitos de sonhos e esperanças.Sou PROFESSOR porque creio na fé, no conhecimento, e no saber que provoca mudanças essenciais para todos.Sou PROFESSOR porque... o amor também move moinhos além de remover montanhas, e é pra frente que se anda, é para cima e para dentro que se evolui espiritualmente.Sou PROFESSOR porque... pássaro que sabe que pode voar mais longe, tem que partir primeiro...Sou PROFESSOR porque...acredito na distribuição do pão e da água, além da vontade de viver intensamente tecendo somas de vivências e iluminuras.Sou PROFESSOR porque...confio na beleza da produção de conhecimento e da pesquisa em parceria dinâmica salutar.Sou PROFESSOR porque...a alma da ciência é a perseverança e o dinamismo da dedicação uma missão como soma pelo viés plural-comunitário.Sou PROFESSOR porque...a palavra é luz, o livro é estandarte e a troca de bagagens (Ave Paulo Freire) um elo de exortação à vida infinita que é uma eterna busca.Sou PROFESSOR porque...a união vale o esforço, faz a força do grupo docente e discente irmanados; a união de propósitos em comum faz o acervo ético, e a amizade é uma escada para o alto, para a essência vital do divino amor cósmico.Sou PROFESSOR porque...sempre me encontro comigo mesmo, a cada aula, cada situação-problema, e quando estou em sala de aula eu me sinto dentro do meu próprio coração.Sou PROFESSOR porque...lecionar é uma lavra de humanismo de resultados, arados e a estrelas no mesmo canteiro sideral da espécie que é energia, calor e luz.Sou PROFESSOR porque...dar aulas é oferecer a mão estendida, o ombro amigo, o afeto que se encerra num abraço terno à procura de uma boa mensagem sementeira para o futuro.Sou PROFESSOR porque...a pedra bruta para se tornar diamante de valor precisa da estima, da lucidez e do fogo da forja que é primordial no caminho do estágio evolutivo seqüencial. Sou PROFESSOR porque...a docência é missão, é dádiva, é semeadura de tantas estradas que vão dar muito além desse planeta geóide.Sou PROFESSOR porque... de uma maravilhosa mestra me fiz poeta precoce, de uma educadora meiga me fiz Crusoé, de uma pedagoga diferenciada me fiz baladeiro a oxigenar seixos íntimos, sonhando - nos estudos, no livros, nas aulas - um lugar ao sol e o pote de ouro atrás do arco-íris.Sou PROFESSOR porque...me respeito e gosto de fazer o que faço, amando para ser amado, me modificando (e moldando-me sempre para melhor) a cada dia, descobrindo sempre novos horizontes pelo olhar do aluno-filho, cada um deles com perspectiva especial de uma alma cidadã.Sou PROFESSOR porque...faço parte da orquestra dos sensíveis, e me dou, livro aberto, para a biblioteca universal dos dias que são páginas de rostos de seres puros buscando apreendências e letramentos...
Sou PROFESSOR porque...ensinar é levar o aluno enquanto ser e enquanto humanus, para uma viagem ao reino encantado da palavra, do saber e até do conhecimento científico.Sou PROFESSOR porque...como diz o poeta, o aluno é como a madeira, se for devidamente "tocado" - INSPIRADO! - pode tornar-se flauta.


Sou PROFESSOR porque...minha maior rebeldia é querer mudar o mundo pra melhor, plantando ideais nos corações e mentes de meus canteiros cíclicos que, certamente levarão minha mensagem de amor e fé para o futuro da espécie, uma vida melhor, mais justa.
E, por fim, sou Professor porque assim sou feliz, pareço feliz, semeio sentidos de grandes buscas, com parcerias e vivências de inclusões, e sei que, com certeza, há muito mais luz no processo do ensino-aprendizagem do que no átomo. E sei também que o aluno é uma árvore que tem que ser bem cuidada, bem regada, bem preparada, solidificada com carinho, bem adubada até, para, serenamente crescer e dar flores e frutos. E assim sei da responsabilidade que, com meu trabalho, tenho com a sociedade, com a vida, com o mundo, por isso mesmo espero ser um dia um belo fruto na seara desses alunos que amo tanto.


Poeta Prof. Silas Corrêa Leite


sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Poema do Circo Mandorová





Circo Mandorová




“Quando eu era pequena

Queria ir embora com os circos que passavam

Hoje, ainda o mesmo, mas piorado

Quero ir embora com qualquer coisa

Que venha de longe e tenha gosto de circo.


(Jeane Hanauer)


Quando eu era pequeno me assustavam

Que o homem-pássaro do circo me roubaria

E me venderia para ser menino-carvoeiro


Eu ouvia os risos do Circo Mandorová

Ouvia os aplausos do Circo Pasárgada

E ficava cismando um reino encantado


O palhaço que pintava lá em Itararé

Era bem risador e ladrão de mulher

Quando eu cheirava cueiros e estrelas


Cresci e fui vendedor de capilé nas ruas

O meu circo foi de lágrimas e tristices

Meu coração sonhava uma Shangri-lá


Hoje que sou um quase velho-menino

Tenho um Circo Mandorová em mim

A infância e a dor numa lona em polaroid


-0-Silas Correa Leite


E-mail: poesilas@terra.com.br

ANTES DE ATRAVESSAR A PONTE






Dentro de nós existe uma coisaque não tem nome.Essa coisa é o que somos… José Saramago

Você precisa acreditar.Antes de atravessar a ponte, pare um pouco, pense bem, lembre-se que o fim é apenas o começo, respire fundo, alimente a sua alma de luz e, finalmente, tome a mais importante decisão de toda a sua vida.
É tudo ou nada. A tinta da travessia é feita de películas de sonhos impossíveis.
Reveja os projetos, pense nas possibilidades, reestime as estimativas, some emoção e cálculo, não vá só assim de cara lavada, ligue-se no plug-vetor do universo (você é parte desse todo, lembra-se), e então Vá! Como dizia a balada de Raul Seixas: “Faça o que tu queres/Pois é tudo da lei!…” A lei cósmica se cumpre. Conquistas e riscos fazem parte do kit básico de todo empreendimento.
Você precisa dar-se crédito. Antes de atravessar a ponte, prepare-se como se fosse para entrar em órbita: ver o céu lá de cima, já pensou?: O céu pode ser você, quem sabe?
Às vezes toda a sua vida inteirinha – ou todas as vidas que se somam na sua vida agora – são condensadas de mil fragmentos, mil páginas de rostos, mil pergaminhos e manuscritos, para, apenas agora, ter esse seu definitivo momento importantíssimo íntimo e pessoal. Você carrega o seu próprio mundo todo para esse seu momento que é único, inevitável. Prepare-se muito bem, portanto, para atravessar a ponte.
Anatole France já muito bem dizia, num belo texto:
-Venham para a beira do abismo.Mas Eles diziam: -Nós temos medo.E ele insistia, determinado, impondo-se:-Venham para a beira do abismo, vejam o enorme e belo desfiladeiro!Eles finalmente foram.Então ele os empurrou…e Eles VOARAM!
Esse é o seu momento sublime agora. Desse momento depende a sua vida. É um pit stop entre o passado, o presente, o futuro.
Você está no foco, no alce de mira, dentro de você mesma. É agora ou nunca.
Claro, sei, não é fácil. Nunca é. A última palavra – livre arbítrio – é sua.Mas você está nos braços de Deus. Tudo é possível ao que crê. A morte não é tudo. Viver não é só aqui. Antes de atravessar a ponte, perca lastro, largue mágoas, deixe ressentimentos, tristices, nódoas, escolha-se no melhor do ser de si, e colha renovada paz para o alto, para cima, técnicas para atravessar a ponte. São quatro letras: AMOR.
Você precisa pensar bem, decidir por você mesma, evoluir a roupa epidérmica da alma. Crer é ser; e ser para CRER. E crer para ir em frente, claro.
Se você não acreditar em você, quem vai acreditar? Se você não fizer por você mesma, quem vai fazer? Se você não passar pelo buraco de agulha, que átomo você é na composição do universo todo? Confie sempre em você.
Você é o espírito que você tem. Vai pipocar agora? Grandes viagens começam com o primeiro passo lá atrás, muito além do farol do fim do mundo, muito além do fim. É dar o primeiro passado e correr para a galera comemorar o placar a seu favor. Já pensou?
Você precisa atravessar a ponte. Deus está mais perto de você do que a sua jugular, diz a lenda.
A ponte liga o antes ao depois. Reparou nos sinais?. Você é exatamente o durante; você está na plenitude de si. Não titubeia agora. Cresça e apareça.Deus só está dentro de nós, se estamos limpos na presença dele. Não pense no que você vai fazer, mas no que Deus está fazendo em você. Em toda tentativa de evoluir, és uma pessoa livre com total controle de tua alma. Mas num desejo inanimado, és escravo de tua insegurança.
Tudo está sendo muito bem preparado. Tudo foi escrito há milênios. O reencontro, o salto, a busca, a cura, a reciclagem; o teu átomo é muito importante no contextual de zilhões de galáxias.
Deus cuidará de ti. Na hora da nossa hora, acreditar no Maravilhoso é preciso. Você é quem faz a diferença. Lembre-se, a ponte também pode ser um milagre.
-0-
Silas Corrêa LeiteEstância Boêmia de Itararé-SP



Texto da Série NÃO DEIXE QUE TE TIREM A PRIMAVERA

E-book ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS no site www.itarare.com.br

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Poema ENTE (E.T.)








E.(N)T.(E)


Aquele piá do filme de Chaplin Carlito
Que corre a quebrar espelhos, vidraças
Sou eu - sou eu, de olhar triste e boné

Aquele guri humilde do Cine Paradiso
Sou eu; um curumim sofrido e pobrinho
Vendendo pirulito pelas ruas de Itararé

Mas, aquele “Ser” apontando para o céu inteiro
Dizendo “Terra”, “Casa”, “Lar”
Com a pontinha do dedo indicador todo iluminado

Sou eu! Sou eu! – um peregrino estrangeiro
Á espera de virem me resgatar
Pra eu voltar para a minha casa que é do outro lado.

-0-

Silas Correa Leite
www.portas-lapsos.zip.net
E-mail: poesilas@terra.com.br
Poema da Série “Eram os Deuses Itarareenses?”



quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Poeta Trabalhando em Biblioteca


Silas Correa Leite, na Biblioteca

Thomázia Montoro, Vila Sonia, São Paulo


segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Resenha Campo de Trigo com Contos, Livro de Contos do Silas Correa Leite




Campo de Trigo Com Corvos, Contos, o Livro do Silas Corrêa Leite


A ciência é grosseira, a vida é sutil

É para corrigir essa distância

Que a literatura nos importa


(Roland Barthes)


“CAMPO DE TRIGO COM CORVOS”, Contos, o que realmente é? Primeiro: é um livro de contos, ficções, histórias, causos, narrativas e as chamadas acontecências, todas no belíssimo palco histórico e boêmio de Itararé. Segundo: a maioria dos contos premiados em concursos literários de renome, ou mesmo no próprio Mapa Cultural Paulista, representando Itararé. Terceiro: a prosa poética do autor, sua linguagem típica do “Itarareês” com o peculiar e todo próprio surrealismo e mesmo o realismo fantástico, para não dizer de, aqui e ali, um chamado transrealismo. E, o melhor de tudo: papo de bar. Na calada da memória, as bebemorações (ou rememorações) e um piá...o guri Silas contando, como se trazendo a sua infância consigo na linguagem, nos parágrafos. Para não dizer dos finais hilários ou, ponhamos: encantados. Bela capa, com autorização do Museu Van Gogh da Holanda. Orelhas bem trabalhadas. O autor tem o que se dizer dele. Prefácio arrebatador. De um poeta, ficcionista e ensaísta premiado de Portugal, o Prof. Dr. Antero Barbosa, acadêmico e professor universitário. Descasca literalmente o estilo do Silas, técnicas, vôos, criações, enlevos, símbolos de perplexidade. E valoradamente dá nomes elogiosos aos criames diferenciados do autor. Última capa, as citações de lugares midiáticos em que o Silas saiu, foi reportagem, ou entrevistado, da Folha à Jovem Pan, por exemplo. Depois e finalmente, o conto Anistia. Premiado. O macro espaço-Brasil trazido à Itararé e um menino contando. Da ditadura ao fim dela com a Era Collor e suas carroças coloridas. O muro como símbolo, metáfora. Lembra J.J.Veiga mas vai em veio próprio. Guardação. Um baita causo de Itararé. Bem construído, costurado, com um final pra lá de feliz e risador, ridente, sei lá. Boêmio...um continho joiado...lindo. Mimo. Caso de notívago. Câncer... então é um papo rueiro, de bar risca-faca, de roda de contadores de palha. O Anão é tão bonito que pinta virar filme, pelo que soube. Gente de arte (teatro, rádio, música) em Itararé de olho. Mágico. Justiça, então, tem um final altamente criativo, quase um achado fora de série. Escrever é um ato de sobrevivência, disse Eduardo Subirates (filósofo espanhol). O Apanhador de Cerejas, quando revela o que está realmente havendo (narrador direto), você sofre e chora e volta a reler para compreender a dor do narrador. A pior coisa é não sentir absolutamente nada, diz o rock do U2. Campo de Trigo Com Corvos é o melhor conto do livro. E o final se revela na última palavra. Você vai lendo, seguindo na contação do menino, quando se vê? Corvos, trigais, campos e, loucura-lucidez. Azul e amarelo, como a capa. O Inventor é cênico, fílmico, e um final que arrebata, literalmente. Endoenças é conversa de filha pra pai. Tudo em Itararé, chão e estrelas. E lágrimas. Congonha (ko goy – do tupi: o quê mantém o ser?), o conto mais premiado do autor. Como é que pode um final desses? Depois vem o Causo do Gibão e você tem ali uma graceza impressionante, andando com o autor pela narrativa e sua tessitura. O Enterro, então, é o melhor “causo” do livro. Por si só daria já um romance e tanto. Um pandareco, como volta e meia diz o autor, entre maleixo, cainho, guaiú, morfético, caipora lazarento (beirando um regionalismo sulino até), etc. Quando você pensa que já está bom, a mimese do O Osso. De novo você fica pensando: como pode escrever isso? Onde acha isso tudo? Técnica, estilo, domínio, condução, talento. Coió é triste, duro, o conto mais pungente do livro maravilhoso. O causo O Velho Martinho é bem contado em Itararé, o autor recupera pessoas, falas, expressões, dando registro à voz do povo, vox dei. E bota gente real: Tepa, Jorge Chuéri, lugares, bares (principalmente). Quando a Tragédia Bate à Sua Porta, foi elogiado e considerado belo e fílmico quando em debate online, pelo João Silvério Trevisaan. E O Silas Já foi premiado no Concurso Ignácio Loyola Brandão, Paulo Leminsky, Ligia Fagundes Telles, Salão de Causos de Pescadores da USP, etc. e tal. Então o conto de amor que faz você chorar. Ele Ainda Está Esperando. Um final que relembra kafka mas sem deixar de enlevar a leitura em prosa poética e ficar pensando no estupendo processo de criação com suas lógicas e ilogicidades maviosas, plangentes. Quando você pensa que acabou, um continho quase que meio infanto-juvenil, e o menino de novo que, na maioria das obras narra, conta, detalha, especifica, volta inteiro e completo com o conto sobre a bicicleta de um tio. Marquesinha, Periquitada. Você não leu? Não sabe o que está perdendo. Cada um arrasta um corpo atrás de si, debaixo do sossego das estrelas, disse Fernando Pessoa. Isso tudo e muito mais é CAMPO DE TRIGO COM CORVOS. Jóia rara.

-0-

L.C.A – Professora, Área de Designer Gráfico




Autor: Silas Correa Leite

E-mail: poesilas@terra.com.br